Quando o corpo cansa antes da alma avisar
Estou cansada. Um cansaço que não se resolve dormindo. Desde o início desta semana, o esgotamento deixou de ser apenas mental e virou físico também. Meu corpo inteiro dói. As pernas pesam. A cervical pulsa. Os braços e as mãos doem. Os dedos rangem ao fechar as mãos, como se tudo estivesse rígido por dentro.
Não tenho ânimo, não consigo me concentrar. Começo várias coisas e não termino nenhuma. Leio, mas nada fixa. Esqueço com facilidade. O barulho me irrita profundamente. Quero ficar sozinha. Até dirigir, algo que sempre fiz, agora me traz insegurança. Tenho medo. Não consigo relaxar. Meus desenhos digitais perderam o sentido. Não é falta de vontade — é falta de força.
O mais confuso é lembrar que, pouco tempo atrás, eu estava bem. Minha mãe passou por uma cirurgia e eu achei que não daria conta. Hospital, trabalho, faculdade, provas, preocupação constante. Mesmo assim, eu segui. Produzi bem. Funcionei. Driblei tudo. E agora… de repente… caí.
O que a ciência explica sobre isso
A ciência mostra que, em períodos prolongados de estresse, o corpo entra em modo de sobrevivência. O cérebro ativa constantemente o sistema de alerta, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina. É isso que nos faz “dar conta” quando parece impossível.
O problema é que esse estado não pode ser mantido por muito tempo. Quando a fase crítica passa, o corpo cobra. E cobra tudo de uma vez. Estudos em neurociência e psicossomática mostram que o estresse crônico pode causar fadiga intensa, dores musculares e dificuldade de concentração. Ou seja: o corpo adoece tentando proteger a mente.
Neurobiologia da Fadiga e Resiliência
O estado descrito é muitas vezes chamado de "crash pós-estresse". No Transtorno Bipolar, o sistema nervoso é mais sensível a mudanças de ritmo. Quando passamos por um período de alta demanda (como o cuidado com a mãe e os estudos), o corpo utiliza todas as suas reservas. A bibliografia destaca que a manutenção da rotina e o uso adequado de estabilizadores de humor, como o Lítio, são essenciais para proteger o cérebro desses danos a longo prazo.
Bibliografia de Apoio:
BALLONE, G. J. Da Emoção à Lesão: Um Guia de Medicina Psicossomática. Manole, 2007.
DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais. Artmed, 2018.
Estou usando bupropiona e lítio. E junto com os sintomas, vem o medo de piorar, porque desde os 15 anos vivo isso. Vem a culpa por não conseguir reagir. Vem a sensação de estar falhando comigo mesma. Mas escrever aqui é meu jeito de não me abandonar. De registrar o que sinto. De transformar dor em palavra.
Eu estou cansada — e isso é real.
Se o peso estiver grande demais, procure ajuda profissional. O CVV oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24h por dia.
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