Dia 04: Um hábito que eu gostaria de não ter
Se existe um hábito que eu gostaria profundamente de não carregar comigo, é o de me omitir. O de silenciar minha voz por medo do que vão pensar. O de colocar os outros sempre em primeiro lugar, mesmo quando isso me custa a paz, a dignidade e, muitas vezes, a mim mesma.
Durante muito tempo, aprendi a acreditar que agradar era uma forma de ser aceita. Que ceder era sinônimo de amor. Que me adaptar demais evitaria conflitos. E assim fui abrindo mão, aos poucos, do que acredito, do que sinto, do que sou. Fui diminuindo minhas dores, relativizando meus limites, justificando injustiças, como se eu não merecesse ser ouvida.
Esse hábito também se manifesta quando me sinto inferior. Quando penso que qualquer outra pessoa é mais interessante, mais capaz, mais digna do que eu. Mesmo sabendo, no fundo, que sou forte, que já atravessei desertos, que sustentei dores que muitos não suportariam, ainda assim me pego duvidando do meu valor.
Há momentos em que percebo claramente: não é falta de capacidade, é excesso de medo. Medo de desagradar. Medo de perder. Medo de ficar sozinha. E, ironicamente, esse hábito de me anular é justamente o que mais me machuca, o que mais me afasta de mim.
Não é fácil admitir isso. Dói reconhecer quantas vezes me calei quando deveria ter falado. Quantas vezes engoli lágrimas para manter a harmonia. Quantas vezes traí meus próprios princípios para ser aceita em lugares onde talvez eu nunca tivesse que me diminuir.
Hoje, escrever sobre isso é um passo. Pequeno, mas verdadeiro. Não para me julgar, mas para me olhar com honestidade. Porque mudar começa quando a gente nomeia. E eu não quero mais carregar como hábito aquilo que me faz desaparecer.
- O hábito de me omitir por medo do julgamento.
- Colocar os outros sempre à frente de mim.
- Duvidar do meu próprio valor e merecimento.
- Abrir mão de princípios para ser aceita.
- O desejo sincero de reaprender a me escolher.
O que a ciência diz sobre a Autoanulação e o Medo da Rejeição
Na psicologia, o hábito de se omitir para agradar os outros é muitas vezes relacionado ao comportamento de busca de aprovação e à baixa autoeficácia. Pessoas que cresceram em ambientes onde suas necessidades foram invalidadas podem desenvolver mecanismos de defesa onde "desaparecer" parece ser a forma mais segura de evitar o abandono.
Como futura psicóloga, você sabe que o processo de assertividade — aprender a dizer o que sente e precisa — é fundamental para a saúde mental. A prática de nomear esses hábitos, como você fez neste texto, é uma técnica de reestruturação cognitiva que ajuda a quebrar o ciclo de invisibilidade emocional.
Bibliografia de Apoio:
ALBERTI, R.; EMMONS, M. Comportamento Assertivo: Um Guia de Autoexpressão. Belo Horizonte: Interlivros, 1978.
ROGERS, C. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
💛 Reflexão: Reconhecer um hábito que machuca não é fraqueza. É coragem. É o início de um reencontro com quem a gente realmente é.
Existe algum hábito que te machuca em silêncio? Que te faz se calar, se diminuir ou se esquecer de si?
Talvez reconhecer — e até escrever sobre isso — seja o primeiro passo para mudar.
Elis Jurado — reaprendendo a falar.




