Desafio 30 dias — Dia 5
Uma foto de algum lugar onde eu já estive
Esse lugar existe.
Silencioso. Verde. Calmo.
Um caminho de madeira que atravessa as árvores como quem promete descanso.
É o tipo de lugar que muita gente chama de paz.
Onde o barulho diminui, o corpo desacelera e o mundo parece menos agressivo.
E, sim — muitas vezes é exatamente isso que a gente precisa.
Mas hoje eu preciso ser honesta.
Existem momentos da bipolaridade em que nem lugares assim conseguem alcançar a gente.
Você anda.
Você olha.
Você respira fundo.
E, mesmo assim, o choro vem.
A tristeza fica.
O peito continua pesado.
Não é falta de gratidão.
Não é drama.
Não é frescura.
É a mente em guerra consigo mesma.
Esse caminho já me acolheu…
mas também já me viu caminhar por dentro chorando, em modo automático,
tentando entender por que nem o que é bonito consegue aliviar.
E isso dói.
Dói porque a gente se cobra:
“Era pra eu estar bem aqui.”
“Era pra eu me sentir melhor.”
“O problema sou eu.”
Não.
O problema não é você, não sou eu, não somos nós.
Às vezes, o passeio ajuda.
Às vezes, não ajuda em nada.
E nos dois casos, está tudo bem.
Hoje eu olho pra essa foto e sinto duas coisas ao mesmo tempo:
🌿 vontade de voltar
💔 lembrança de que nem sempre a paz externa alcança a interna
Talvez a maturidade emocional esteja exatamente aí:
em aceitar que existem dias em que nem o lugar mais calmo do mundo dá conta da nossa dor —
e, mesmo assim, a gente continua caminhando.
Um passo de cada vez.
Mesmo triste.
Mesmo cansada.
Mesmo sem sentir nada.
📚 O que a ciência diz
Estudos em psicologia mostram que, em transtornos do humor, estímulos externos positivos (natureza, passeios, silêncio) nem sempre conseguem modular o estado emocional.
Isso acontece porque o sofrimento não está apenas na experiência, mas em alterações neurobiológicas que afetam prazer, motivação e regulação emocional.
Ou seja: não é falta de esforço.
É doença — e precisa ser respeitada.
Hoje, essa foto não é sobre um lugar bonito.
É sobre seguir andando, mesmo quando a beleza não alcança.
💬 Me conta:
Você já esteve em um lugar lindo, calmo, silencioso…
e ainda assim se sentiu vazio(a) ou triste?
Se fizer sentido, compartilha sua experiência aqui.
E se conhecer alguém que precisa entender que nem sempre o ambiente cura,
compartilha esse texto.
Às vezes, só saber que não estamos sozinhos já muda o peso do caminho.


