quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Quando o corpo cansa antes da alma avisar: ansiedade, esgotamento e dor invisível

Quando o corpo cansa antes da alma avisar

Estou cansada. Um cansaço que não se resolve dormindo. Desde o início desta semana, o esgotamento deixou de ser apenas mental e virou físico também. Meu corpo inteiro dói. As pernas pesam. A cervical pulsa. Os braços e as mãos doem. Os dedos rangem ao fechar as mãos, como se tudo estivesse rígido por dentro.

Não tenho ânimo, não consigo me concentrar. Começo várias coisas e não termino nenhuma. Leio, mas nada fixa. Esqueço com facilidade. O barulho me irrita profundamente. Quero ficar sozinha.

Até dirigir, algo que sempre fiz, agora me traz insegurança. Tenho medo. Não consigo relaxar. Meus desenhos digitais perderam o sentido. Não é falta de vontade — é falta de força.

O mais confuso é lembrar que, pouco tempo atrás, eu estava bem. Minha mãe passou por uma cirurgia e eu achei que não daria conta. Hospital, trabalho, faculdade, provas, preocupação constante. Mesmo assim, eu segui. Produzi bem. Funcionei. Driblei tudo.

E agora… de repente… caí.


🧠 O que a ciência explica sobre isso

A ciência mostra que, em períodos prolongados de estresse, o corpo entra em modo de sobrevivência. O cérebro ativa constantemente o sistema de alerta, liberando hormônios como o cortisol e a adrenalina. É isso que nos faz “dar conta” quando parece impossível.

O problema é que esse estado não pode ser mantido por muito tempo. Quando a fase crítica passa, o corpo cobra. E cobra tudo de uma vez.

Estudos em neurociência e psicossomática mostram que o estresse crônico pode causar:

  • fadiga intensa e persistente;
  • dores musculares e articulares;
  • dificuldade de concentração e memória;
  • hipersensibilidade a sons e estímulos;
  • sensação de vazio, culpa e desesperança.

Ou seja: o corpo adoece tentando proteger a mente.

Quando dizemos que “o corpo fala”, não é metáfora. É fisiologia. É o sistema nervoso dizendo que chegou ao limite.


Estou usando bupropiona e lítio. E junto com os sintomas, vem o medo de piorar, porque desde os 15 anos vivo isso, e sempre piora... Vem a culpa por não conseguir reagir. Vem a sensação de estar falhando comigo mesma.

Mas escrever aqui é meu jeito de não me abandonar. De registrar o que sinto. De transformar dor em palavra.

Talvez este texto não seja sobre respostas. Talvez seja apenas sobre reconhecer: eu estou cansada — e isso é real.


💬 Se você chegou até aqui

Se alguma parte desse texto te descreveu, não siga em silêncio. Talvez seu corpo também esteja gritando enquanto você tenta ser forte.

Se quiser, compartilhe nos comentários:

  • O que tem te cansado sem que você perceba?
  • Quando foi a última vez que você realmente descansou?
  • O que seu corpo anda tentando te dizer?

Aqui, ninguém precisa fingir que está bem.

Se em algum momento você sentir que não consegue lidar sozinho(a), procure ajuda.
CVV – 188 | Atendimento 24h, gratuito e anônimo.Psicólogos ajudam e são sempre bem vindos.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Quando o mundo pesa dentro de mim: sobreviver também é coragem

Quando o mundo pesa dentro de mim — e eu continuo

Tem dias em que o peso do mundo parece morar todo aqui dentro. O corpo continua andando, respondendo, sobrevivendo… mas por dentro, o silêncio grita.

Já me perdi na minha própria mente. Acreditei que estava sozinha num deserto emocional, onde ninguém entende, ninguém alcança, ninguém escuta. Mas, mesmo assim, eu respirei. E continuar respirando, quando tudo dói, também é um ato de coragem.

Conviver com o transtorno bipolar intensifica tudo. As emoções não passam — elas atravessam. Os altos são intensos, os baixos são profundos, e o cansaço de existir entre extremos é algo que pouca gente vê.

Há momentos em que preciso parar. Segurar a própria mão. Aceitar ajuda. E isso não me diminui. Pelo contrário: pedir ajuda é uma das formas mais honestas de força que conheço.

Eu sigo aqui, mesmo depois de tempestades internas que ninguém testemunhou. Furacões silenciosos. Desertos emocionais. E ainda assim… sigo.


🧠 O que a ciência nos ajuda a entender

Estudos em neurociência e psiquiatria mostram que o transtorno bipolar não é fraqueza emocional nem falta de esforço. É uma condição marcada por alterações reais nos circuitos cerebrais responsáveis pela regulação do humor, energia, sono e impulsividade.

A ciência também reconhece algo essencial: o sofrimento não está apenas nos episódios de mania ou depressão, mas no impacto contínuo sobre a identidade. Muitas pessoas vivem tentando descobrir quem são por trás dos sintomas.

Por isso, o tratamento vai além da medicação. Inclui psicoeducação, vínculos seguros, validação emocional e a construção de uma relação mais compassiva consigo mesmo. Autocuidado não é luxo — é necessidade clínica.


Eu não me culpo mais por sentir demais. Nem por precisar parar. Cada gesto de cuidado comigo é um pequeno milagre silencioso.

Eu já sobrevivi a coisas que quase me apagaram. E se hoje ainda estou aqui, é porque existe algo em mim que insiste — mesmo cansada — em viver.

💭 Verdade que ninguém diz:
Sobreviver, em alguns dias, é a maior conquista possível.

🤍 Se esse texto te encontrou…

Talvez você também esteja carregando um mundo inteiro por dentro.
Você não precisa fazer isso sozinho.

Compartilhe, comente ou apenas respire um pouco.
Reconhecer a própria dor já é um começo.

Se você estiver em sofrimento emocional intenso, procure ajuda.
No Brasil, ligue 188 — CVV (24h).

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Não sou perfeita

Não sou perfeita — sou humana

Não sou perfeita. E talvez essa seja a frase mais difícil de aceitar quando se vive tentando compensar tudo o que já quebrou.

Sou feita de tropeços repetidos, de quedas profundas e de tentativas tardias de consertar o que doeu em alguém. Já estive tão no fundo que confundi sobrevivência com fracasso. Já errei sabendo que errava — e isso pesa mais do que qualquer julgamento externo.

Não sou perfeita porque sou humana. E humanos amam torto, sentem demais, explodem, silenciam, machucam sem intenção e carregam culpas que não dormem.

Há erros que não gritam — apenas permanecem. Pesam no peito como um mundo inteiro. Principalmente quando o erro tem nome, rosto… e lágrimas.

Ver alguém chorar por algo que saiu de mim é uma dor que não se explica. É uma culpa que rasga por dentro, que desorganiza a alma e faz a gente desejar voltar no tempo — mesmo sabendo que não dá.

A ciência explica que a mente adoecida distorce reações, impulsos e limites. Mas nenhuma explicação técnica diminui o peso de ferir quem se ama. Entender não apaga. Apenas contextualiza.

O que quase ninguém fala é que errar não destrói tanto quanto não se perdoar. Porque errar é humano. Mas viver se punindo eternamente é desumano.

Não sou perfeita. Tenho defeitos visíveis, falhas recorrentes e vitórias raras. Já caminhei abaixo do abismo e, ainda assim, continuo aqui — tentando aprender a existir sem me odiar.

Este texto não é defesa. Não é pedido de absolvição. É um retrato cru de quem sente demais, erra demais e ainda assim ama com o que tem.

Se você já machucou alguém e isso ainda te corrói, saiba: a culpa mostra que existe consciência. E a consciência é o primeiro passo para a mudança.


Reflexão final:
Nem todo erro nasce da falta de amor. Alguns nascem do excesso de dor.

💬 Se isso te tocou…

Talvez você também esteja tentando se perdoar.
Talvez hoje seja o dia de começar.

Deixe um comentário.
Ser lido também é uma forma de acolhimento.

Se estiver em sofrimento emocional intenso, procure ajuda.
No Brasil, ligue 188 — CVV (24h). Procure um psiquiatra, um psicóligo, não fique sozinho.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

“Louca”: o que ninguém vê quando se fala em transtorno bipolar

“Louca”: o que ninguém vê quando se fala em transtorno bipolar

Louca. É assim que muitas pessoas me definem — quase sempre em silêncio, pelas costas. O que elas não sabem é o peso que eu carrego todos os dias.

Conviver com o transtorno bipolar não é “mudar de humor”. Não é exagero. Não é falta de controle. É viver em uma montanha-russa emocional que não desliga nunca.

Quando estou no alto, parece que tudo finalmente anda. A mente acelera, a energia transborda, a produtividade aparece. Mas junto vêm a irritação, a impaciência, a impulsividade, a compulsão, as escolhas feitas rápido demais… e o arrependimento que chega depois.

Quando estou embaixo, a queda é profunda. O corpo pesa. A cama prende. O sono e o apetite se bagunçam. A vida perde a cor — fica cinza, distante, silenciosa. E pensamentos de morte atravessam a mente como algo que assusta até a mim.

O mais difícil é quando tudo acontece junto. Euforia e tristeza. Força e exaustão. Vontade de viver e vontade de desaparecer.

Há dias em que lidar comigo mesma parece um murro em ponta de faca. Sinto que não saio do lugar. Em outros dias, a esperança aparece — frágil, tímida… mas real.

Passei muito tempo sem diagnóstico. E isso me deixou uma dúvida constante: quem sou eu — e o que é o transtorno? Sou essa pessoa sem energia? Ou essa mulher intensa e proativa? Ou nenhuma delas?

Hoje sigo reaprendendo quem eu sou. Sem rótulos fáceis. Sem romantizar a dor. Com coragem para existir do jeito que dá.


📚 O que a ciência diz

A ciência já entende que o transtorno bipolar não é falha de caráter, nem “drama emocional”. É uma condição neurobiológica, complexa, marcada por alterações reais no funcionamento do cérebro, na regulação do humor, do sono, da energia e da impulsividade.

Estudos mostram que o sofrimento não está apenas nos episódios, mas também na dificuldade de diferenciar quem a pessoa é do que o transtorno provoca.

Por isso, tratamento não é só medicação. É psicoeducação, acolhimento, autocompaixão e construção de identidade. Aprender limites não é fraqueza — é cuidado.


Nota importante:
As emoções descritas aqui não são apenas minhas. São de muitas outras pessoas também.

💬 Vamos falar sobre isso?

Se você vive com bipolaridade — ou convive com alguém que vive — tente olhar com mais empatia.

E se esse texto te atravessou, deixe um comentário.
Ser ouvido já é parte do tratamento.

Se você estiver em sofrimento emocional intenso, procure ajuda. No Brasil, ligue 188 — CVV (24h).

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Bipolaridade e oscilação de humor: quando o dia amanhece nublado aqui dentro

Hoje está nublado aqui dentro.

Hoje o dia amanheceu nublado.
Não só lá fora.
Aqui dentro também.

Acordei sem vontade de sair.
Sem vontade de explicar.
Sem vontade de ser forte.

Eu nem tinha pensado nisso, mas acordei com vontade de fugir.
Não de alguém específico.
Mas dessa sensação constante de ter que dar conta de tudo. Desses pensamentos que querem explodir a minha cabeça.

Tem dias em que eu pareço de aço.
Funciono.
Resolvo.
Seguro tudo.

Mas tem dias — como hoje — em que só quero sentir o chão.
Pisar firme.
Sentar no chão se for preciso.
Respirar sem performance.

Eu queria que minha vida fosse diferente.
Não perfeita.
Só menos cansativa, sem esses pensamentos, esses sentimentos, sem ter que viver fingindo um sorriso que não existe...

Carrego feridas que não cicatrizam fácil.
Feridas invisíveis. Feridas que doem.
Daquelas que ninguém vê, mas que doem sempre, acho que todos os dias...

Tem dias, meses que até estou bem, outros estou mal.
E em outros até que mais ou menos.
Hoje está nublado aqui dentro. Às vezes tudo claro, outras tudo escuro.
E quem vive isso sabe: não é drama, é oscilação.

É a bipolaridade mostrando que o humor não pede licença.
Ele muda. Ele vira. Ele cai.
E não precisa ter motivos, ele muda de tempo em tempo...

E sim, amanhã pode passar.
Na maioria das vezes até que passa mesmo.
Mas hoje ainda está aqui. E amanhã pode estar também, e por muitos dias mais.

Hoje eu preciso pensar em mim.
Ficar comigo.
Esperar meu tempo.

Sem procurar colo. Sem pedir consolo.
Preciso ficar quieta, em silêncio, sozinha, sem pensar no que vão pensar, sem segurar o choro, sem pedir licença para chorar.

Hoje me falta o ar.
Eu sei que é passageiro.
Mas enquanto passa, dói.

Hoje eu só quero chorar. E está tudo bem.

Não importa quem ligue. Hoje eu não vou atender.
Porque tem dias em que atender o mundo custa mais do que eu tenho.

Amanhã… talvez passe. Eu confio nisso.
Mas hoje, deixa eu existir assim.


📚 O que a ciência diz

Na bipolaridade e em outros transtornos do humor, as oscilações emocionais podem acontecer mesmo sem um motivo externo claro.

Estudos mostram que resistir ou brigar contra o estado emocional costuma intensificar o sofrimento, enquanto reconhecer, acolher e reduzir estímulos ajuda o sistema nervoso a se reorganizar.

Nem todo dia precisa ser produtivo. Alguns dias precisam apenas ser atravessados.


Hoje está nublado. E tudo bem.
Eu fico. Respiro. Espero.

Texto por: Elis Jurado

💬 Se isso falou com você

Você também tem dias em que o humor vira sem avisar?

Conta aqui. E se conhecer alguém que vive entre claros e escuros, compartilha.

Você não está errada por sentir. Você está viva, como eu.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Modo de Sobrevivência

Modo de Sobrevivência

Foi um dia comum. Daqueles que começam normais demais para terminar do jeito que terminam.

Saí de casa tranquila. Cheia de problema, sim — dinheiro curto, cabeça cansada, coração apertado — mas nada fora do “normal” da minha vida.

Eu estava indo trabalhar.

Por descuido, em um cruzamento, aconteceu.

Eu bati o carro em uma moto.

Eu estava errada.

O tempo pareceu parar. E a primeira coisa que pensei não foi nem no prejuízo. Foi: “Meu Deus… por quê? Logo agora? Com tanta coisa já pesada, por que comigo?”

Saí do carro correndo. O moço tinha caído. Machucou a perna. Não foi algo gravíssimo, mas doeu. A moto quebrou.

Ele é Uber.

A moto é o trabalho dele. Sem moto, sem renda. E aquilo me atravessou de um jeito absurdo.

Veio um ódio de mim mesma. Uma culpa esmagadora. Uma sensação de: “eu só atrapalho, eu só faço besteira”.

Ele começou a gritar comigo:
“Você não me viu?!”

Naquele momento, eu quase fiz xixi nas calças. De verdade.

Mas eu fiquei firme.

Eu não gritei. Não chorei. Não discuti.

Olhei pra ele e falei, com a voz mais calma que consegui:

“Não, moço. Eu não te vi. Infelizmente, não vi. Mas ninguém sai de casa querendo atropelar alguém. Eu sinto muito. De verdade. Não foi minha intenção — e não é a de ninguém.”

O tom dele mudou.

A raiva baixou. A conversa ficou possível.

Ofereci ajuda. Perguntei do hospital. Ele disse que estava bem.

Trocamos telefones. Tiramos fotos dos veículos. Combinei de arcar com o conserto depois.

Entrei no carro.

Fui trabalhar.

E foi aí… foi exatamente aí… que eu desabei.

Uma crise de choro forte, descontrolada. Um ódio profundo de mim. Uma vontade de sumir do mundo. Chorei com desespero total... Sozinha, sou sozinha né.

Me senti burra. Incompetente. Errada em existir.

Pensei em nunca mais dirigir. Pensei em desistir de tudo. Pensei em desistir da vida.

Por que eu consigo ser forte quando tudo explode… mas depois quase morro por dentro?

Será que só eu sou assim?

Será que você também é?


Agora, a ciência (não sou eu falando)

O que acontece ali não é força emocional. É ativação do chamado modo de sobrevivência.

Em situações de estresse intenso, o cérebro pode desligar temporariamente emoções para permitir ação, controle e raciocínio rápido.

Isso não acontece só com pessoas bipolares. Acontece com quem já viveu sobrecarga, trauma, ansiedade, ou precisou aprender a “aguentar” desde cedo.

O colapso vem depois. Quando o corpo entende que o perigo passou e libera tudo o que foi segurado.

Não é fraqueza. É biologia.


Eu escrevo isso porque sei que não sou a única.

Tem gente que segura tudo na hora crítica. Resolve. Apazigua. Age.

E depois… paga um preço alto demais.


💬 Me conta.

Você já teve o modo de sobrevivência ativado?
Já ficou firme quando todo mundo esperava que você desmoronasse — e caiu só depois, sozinha?

Você é bipolar? Ou conhece alguém que vive assim?

Se esse texto te representou, compartilha. Às vezes, alguém precisa ler exatamente isso para se sentir menos errada por sentir.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Aprendendo a cuidar de mim

Estou aprendendo...

Eu não acordei e nem nasci, sabendo me cuidar.
Na verdade, passei boa parte da vida fazendo exatamente o contrário.A verdade é que ainda não me cuido, estou tentando, aprendendo...

Hoje, eu estou aprendendo e tentando a me afastar do que me faz mal.
Mesmo quando dói.
Mesmo quando parece perda.
Mesmo quando a bipolaridade me confunde e faz parecer que tudo é exagero meu Mesmos quando os pensamentos gritam e se tornam tormento.

Estou aprendendo a descansar. (não está sendo fácil)
Não só o corpo — a mente também.
A entender que nem tudo precisa ser resolvido hoje.
Que nem toda angústia é urgência.
Que cada coisa tem seu tempo… mesmo quando meu cérebro insiste em correr.

Estou tentando organizar prioridades.
E isso, para alguém que vive entre extremos, não é simples.
Quando estou bem demais, quero abraçar o mundo.
Quando estou mal, mal consigo segurar a mim.

Ainda assim, estou aprendendo a olhar para o que realmente importa.
A cuidar do essencial.
A parar de me punir por não dar conta de tudo.

Estou aprendendo a me perdoar.
Pelos dias improdutivos.
Pelas recaídas.
Pelos momentos em que prometi força e só consegui sobreviver.

Demorei para entender que nunca é tarde.
Que aprender não tem idade.
Que amadurecer, às vezes, é aceitar limites — e não superá-los.

Aprendi que nunca deixo de aprender.
Nem sobre a vida, nem sobre mim.
E que, muitas vezes, para ganhar equilíbrio, eu preciso perder excessos.

Estou aprendendo a me cercar de quem quer me ver bem de verdade.
Não só animada.
Não só funcional.
Mas inteira, mesmo nos dias quebrados.

Estou aprendendo a soltar o que já não soma.
Há coisas que ontem sustentavam… e hoje só pesam.
E tudo bem reconhecer isso.

Estou aprendendo a dizer não.
A lembrar quem eu sou.
E, principalmente, a respeitar para onde eu consigo ir.

Aos poucos, começo a encontrar minha voz.
Às vezes trêmula.
Às vezes cansada.
Mas minha.

E talvez seja isso.
Talvez o sentido não seja estar bem o tempo todo.
Mas entender que eu vim, que eu estou aqui… e que um dia vou embora.
E, enquanto isso, aprender a viver do jeito mais humano possível.


📚 O que a ciência diz

A psicologia e a psiquiatria entendem o transtorno bipolar como uma condição crônica, que exige aprendizado contínuo de autorregulação, e não controle absoluto.

Estudos mostram que pessoas com bipolaridade desenvolvem melhor estabilidade quando aprendem a reconhecer limites, reduzir estímulos excessivos e praticar autocompaixão — não autocobrança.

Aprender a perder intensidade, em muitos casos, é o que permite ganhar qualidade de vida.


Hoje, eu sigo aprendendo.
Sem pressa de chegar.
Sem promessa de perfeição.

Só tentando viver — um pouco melhor do que ontem.

💬 Vamos conversar?

O que você está aprendendo sobre você neste momento da vida?

Se esse texto falou com você, deixa um comentário.
E se conhecer alguém que também está tentando aprender a viver com o que sente, compartilha.

Às vezes, aprender já é um ato imenso de coragem.

Quando o corpo cansa antes da alma avisar: ansiedade, esgotamento e dor invisível

Quando o corpo cansa antes da alma avisar Estou cansada. Um cansaço que não se resolve dormindo. Desde o início desta semana, o esgota...