“Louca”: o que ninguém vê quando se fala em transtorno bipolar
Louca. É assim que muitas pessoas me definem — quase sempre em silêncio, pelas costas. O que elas não sabem é o peso que eu carrego todos os dias.
Conviver com o transtorno bipolar não é “mudar de humor”. Não é exagero. Não é falta de controle. É viver em uma montanha-russa emocional que não desliga nunca.
Quando estou no alto, parece que tudo finalmente anda. A mente acelera, a energia transborda, a produtividade aparece. Mas junto vêm a irritação, a impaciência, a impulsividade, a compulsão, as escolhas feitas rápido demais… e o arrependimento que chega depois.
Quando estou embaixo, a queda é profunda. O corpo pesa. A cama prende. O sono e o apetite se bagunçam. A vida perde a cor — fica cinza, distante, silenciosa. E pensamentos de morte atravessam a mente como algo que assusta até a mim.
O mais difícil é quando tudo acontece junto. Euforia e tristeza. Força e exaustão. Vontade de viver e vontade de desaparecer.
Há dias em que lidar comigo mesma parece um murro em ponta de faca. Sinto que não saio do lugar. Em outros dias, a esperança aparece — frágil, tímida… mas real.
Passei muito tempo sem diagnóstico. E isso me deixou uma dúvida constante: quem sou eu — e o que é o transtorno? Sou essa pessoa sem energia? Ou essa mulher intensa e proativa? Ou nenhuma delas?
Hoje sigo reaprendendo quem eu sou. Sem rótulos fáceis. Sem romantizar a dor. Com coragem para existir do jeito que dá.
📚 O que a ciência diz
A ciência já entende que o transtorno bipolar não é falha de caráter, nem “drama emocional”. É uma condição neurobiológica, complexa, marcada por alterações reais no funcionamento do cérebro, na regulação do humor, do sono, da energia e da impulsividade.
Estudos mostram que o sofrimento não está apenas nos episódios, mas também na dificuldade de diferenciar quem a pessoa é do que o transtorno provoca.
Por isso, tratamento não é só medicação. É psicoeducação, acolhimento, autocompaixão e construção de identidade. Aprender limites não é fraqueza — é cuidado.
Nota importante:
As emoções descritas aqui não são apenas minhas.
São de muitas outras pessoas também.
💬 Vamos falar sobre isso?
Se você vive com bipolaridade — ou convive com alguém que vive —
tente olhar com mais empatia.
E se esse texto te atravessou, deixe um comentário.
Ser ouvido já é parte do tratamento.
Se você estiver em sofrimento emocional intenso, procure ajuda. No Brasil, ligue 188 — CVV (24h).




