Assim como não gosto das festas de final de ano, tampouco gosto de comemorar meu aniversário.
Nunca gostei. Nunca fez muito sentido.
Todos os anos fazemos um bolo — mas não por mim.
É pelos outros. Para não decepcionar quem espera esse ritual, quem acha que bolo é sinônimo de carinho.
Eu deixo acontecer… mas por dentro, a verdade é outra.
O que eu escondia atrás dos 44
Hoje fiz 44 anos.
E, sinceramente, por muito tempo achei que eu nunca chegaria até aqui.
Passei por trevas.
Não aquela escuridão que se apaga com um interruptor — mas aquela que engole a alma devagar.
Vivi abaixo do abismo, num lugar onde não existe chão.
Eu sobrevivi a dores que nem sei explicar, a medos que nem sei nomear.
E enquanto o mundo comemorava datas, eu apenas respirava… e às vezes nem isso parecia possível.
A verdade sobre aniversários
Talvez eu não goste de aniversários porque eles me lembram do tempo.
Do tempo que passou sem eu viver direito.
Do tempo que eu lutei para continuar.
Do tempo que eu tive que ser forte quando eu só queria deitar e desaparecer.
Mas também me lembram de algo maior:
Eu ainda estou aqui.
E isso, por si só, é um milagre.
Se você também tem dificuldade com aniversários… se essa data não te abraça, mas te aperta…
Eu quero te lembrar:
Não existe forma certa de comemorar a vida.
Às vezes existir já é uma vitória.
Às vezes sobreviver já é um parabéns.
E se você está aqui lendo isso, talvez também tenha caminhado por sombras — e mesmo assim continua.
Isso já te faz forte.
Forte de um jeito silencioso, verdadeiro e impossível de colocar em festa nenhuma.
Hoje, aos 44, eu não celebro com barulho, mas celebro com consciência.
Eu olho para tudo o que passei e penso:
Eu estou aqui. Eu fiquei. Eu resisti.
E talvez esse seja o maior presente de todos.
Se, em qualquer momento, você sentir que está perdendo o controle, que a mente escureceu, que a angústia apertou demais… por favor, procure ajuda imediatamente.
Não carregue isso sozinho.
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