Por dentro, ninguém vê
Quem olha de fora talvez não perceba.
A casa parece normal.
As tarefas seguem acontecendo.
O sorriso aparece quando precisa.
Mas aqui dentro, dentro de mim, existe um esforço diário que ninguém enxerga.
Eu acordo tentando me ajudar.
Respiro fundo antes de levantar.
Organizo pequenas rotinas para não me perder.
Faço listas, planos, promessas silenciosas de que hoje vai ser diferente.
Em casa, sigo funcionando.
Arrumo o que dá.
Resolvo o que é urgente.
Seguro conflitos antes que explodam.
Engulo palavras para evitar guerras.
Tem dias em que o cansaço não é do corpo — é da alma.
É cansativo sustentar tudo.
É cansativo ser o eixo.
É cansativo precisar estar bem quando tudo em mim pede pausa.
O sofrimento não grita.
Ele se esconde.
Ele se adapta.
Ele aprende a sorrir.
Quando alguém pergunta “tá tudo bem?”, eu respondo no automático:
“Tá sim.”
Não porque esteja.
Mas porque explicar dói mais do que silenciar.
As pessoas não entendem.
E, na maioria das vezes, nem querem entender.
Elas veem o que aparece: o sorriso educado, a conversa breve, o “deixa comigo”.
Ninguém vê o esforço para não chorar no banheiro.
Ninguém vê o medo de desmoronar se parar por cinco minutos.
Ninguém vê o quanto eu me escondo para não preocupar, não incomodar, não ser um peso.
Eu sigo tentando me ajudar do jeito que consigo.
Às vezes escrevendo.
Às vezes ficando em silêncio.
Às vezes apenas sobrevivendo ao dia.
Não é fraqueza.
É exaustão.
E mesmo cansada, sigo.
Porque desistir não é uma opção que eu me permita.
Mas confesso: há dias em que continuar dói.
💬 Se você chegou até aqui
Talvez você também viva assim.
Funcionando por fora, sangrando por dentro.
Se escondendo atrás de um sorriso que não representa o que sente.
Se esse texto te atravessou, fica.
Escreve nos comentários.
Conta como é aí dentro de você.
Aqui, ninguém precisa fingir que está tudo bem.
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