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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Me odeio e odeio me odiar: O peso da autocrítica no Transtorno Bipolar

Me odeio, e odeio me odiar

Tem dias em que eu queria escrever algo positivo.
Algo que me fizesse sentir um pouco melhor comigo mesma.
Masmuitas vezes não sai.

Hoje, quem mais me machuca sou eu.
O jeito como eu me olho.
O jeito como eu me falo.
O jeito como sou.
O jeito como eu me cobro.

Eu me torno minha pior inimiga sem perceber.
Repito coisas duras na minha cabeça.
Vivo um castigo silencioso que ninguém vê. Muitas vezes nem eu vejo.

Tem dias em que eu odeio meu corpo. Quase sempre...
Meus braços.
Minha barriga.
Meu rosto.
O reflexo que aparece de surpresa em um vidro qualquer.

Odeio como a roupa cai em mim.
Odeio pensar que estão me olhando quando eu rio.
Odeio me olhar no espelho.
Odeio sentir que meu corpo é meu — como se isso fosse um peso.

Odeio nunca estar satisfeita.
Odeio querer ser perfeita.
Odeio essa busca por mim mesma.
Odeio esses sintomas.
Odeio essa bipolaridade.
Odeio o quanto tudo me afeta, o quanto tudo importa demais.

Já tentei mudar isso.
Escrevi afirmações.
Tentei brigar com as emoções.
Tentei ser racional.

Mas, às vezes, nada muda. Nunca muda...
E quando não muda, parece que o ódio só cresce. Diariamente...

Odeio meu cabelo, ou o que restou dele.
Odeio meus dentes.
Odeio sentir ciúmes.
Odeio essa ansiedade, esse medo, essa angustia.
Odeio sentir limitada, impotente, cansada, velha.
Odeio pensar que sempre tem algo quebrado em mim.

Odeio sair em fotos.
Odeio não conseguir ficar tranquila.
Odeio essas crises de choro, os limites de cognição.
Odeio esses lapsos de memória.
Odeio sentir que todos me observam, mesmo quando ninguém está.

E o mais difícil de admitir:

Eu odeio me odiar.
Mas continuo odiando.

Isso não é drama.
Não é vitimismo.
É exaustão emocional.Estou cansada e as vezes perco as esperanças...

É acordar cansada de existir dentro da própria cabeça.
É carregar um peso que não aparece em exames.
É lutar com a própria imagem, com a própria mente, com o próprio nome.

Talvez amanhã eu me trate melhor.
Talvez amanhã eu consiga escrever algo bonito.

Hoje, não.

Hoje, eu só estou sendo honesta.


📚 O que a ciência diz

A psicologia reconhece que o auto-ódio persistente está frequentemente associado a transtornos do humor, transtornos de ansiedade e experiências prolongadas de autocrítica.

Estudos indicam que lutar contra pensamentos negativos o tempo todo pode aumentar o sofrimento. Em alguns momentos, reconhecer o que se sente — sem corrigir, sem maquiar — é o primeiro passo para reduzir a intensidade da dor.

Nomear não piora.
Negar, sim.


Se você leu isso e se reconheceu,
saiba: você não é fraca.

Você está cansada, como eu, como tantos...

E cansar de si mesma dói mais do que qualquer coisa.

💬 Me conta:

Você também tem dias em que se olha e não se reconhece?
Dias em que a maior batalha é contra você mesma?

Se esse texto te atravessou, escreve aqui.
E se conhecer alguém que vive essa luta silenciosa, compartilha.

Às vezes, a primeira forma de cuidado
é parar de fingir que está tudo bem, é isso o que eu mais faço.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Eu ainda acredito em mim: A reconstrução da autoestima após a dor

Eu ainda acredito em mim

Já me disseram, de tantas formas diferentes, que eu não servia pra nada.
Que eu exagerava.
Que eu sentia demais.
Que o espaço que eu ocupava era grande demais para alguém como eu.

Houve dias em que essas palavras não ficaram só do lado de fora.
Elas entraram.
Grudaram na pele.
E fizeram morada dentro de mim.

Teve um tempo em que fui encurralada contra mim mesma.
Cansada demais para lutar.
Cansada demais até para chorar.
Quando perder as lágrimas pareceu mais fácil do que sustentar a dor.

Mas eu estou aqui.
De pé.
Alerta.
Mesmo com cicatrizes que ninguém vê.

Não sou resto.
Não sou sobra.
Não sou “zero à esquerda”, como tentaram me fazer acreditar.

Eu acredito em mim.
Mesmo quando a voz treme.
Mesmo quando a confiança falha.
Mesmo quando tudo dentro de mim parece em guerra.

Aprendi cedo que viver em constante batalha muda a gente.
As guerras emocionais não me destruíram — me deram asas.
Não asas bonitas.
Asas de metal.
Pesadas.
Forjadas na dor.

Hoje eu voo diferente.
Não porque não tenho medo,
mas porque me recuso a rastejar de novo.

Já não estou em liquidação emocional.
Já não me ofereço pela metade.
Já não aceito migalhas de respeito.

Somos todos diferentes.
E é exatamente isso que nos torna únicos.
Não preciso caber no molde de ninguém para existir.

Passei pelo pior.
Sobrevivi a versões minhas que quase não suportei.
E sigo acreditando — mesmo cansada — que o melhor ainda pode chegar.


🧠 Um olhar da ciência

A psicologia entende que pessoas que atravessam sofrimento emocional intenso desenvolvem mecanismos profundos de sobrevivência.

A autoestima, nesses casos, não nasce do elogio fácil, mas da reconstrução diária após a dor.

Acreditar em si não é arrogância.
É resistência.
É saúde emocional em construção.


💬 E você?

Em que momento da vida você quase deixou de acreditar em si?
E o que te trouxe de volta?

Às vezes, acreditar em si é o ato mais revolucionário que existe.

Se você estiver passando por um momento difícil, procure ajuda.
CVV – 188 (24h), procure um psiquiatra, um psicólogo.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Dia 04: Um hábito que eu gostaria de não ter

Dia 04: Um hábito que eu gostaria de não ter

Se existe um hábito que eu gostaria profundamente de não carregar comigo, é o de me omitir. O de silenciar minha voz por medo do que vão pensar. O de colocar os outros sempre em primeiro lugar, mesmo quando isso me custa a paz, a dignidade e, muitas vezes, a mim mesma.

Durante muito tempo, aprendi a acreditar que agradar era uma forma de ser aceita. Que ceder era sinônimo de amor. Que me adaptar demais evitaria conflitos. E assim fui abrindo mão, aos poucos, do que acredito, do que sinto, do que sou. Fui diminuindo minhas dores, relativizando meus limites, justificando injustiças, como se eu não merecesse ser ouvida.

Esse hábito também se manifesta quando me sinto inferior. Quando penso que qualquer outra pessoa é mais interessante, mais capaz, mais digna do que eu. Mesmo sabendo, no fundo, que sou forte, que já atravessei desertos, que sustentei dores que muitos não suportariam, ainda assim me pego duvidando do meu valor.

Há momentos em que percebo claramente: não é falta de capacidade, é excesso de medo. Medo de desagradar. Medo de perder. Medo de ficar sozinha. E, ironicamente, esse hábito de me anular é justamente o que mais me machuca, o que mais me afasta de mim.

Não é fácil admitir isso. Dói reconhecer quantas vezes me calei quando deveria ter falado. Quantas vezes engoli lágrimas para manter a harmonia. Quantas vezes traí meus próprios princípios para ser aceita em lugares onde talvez eu nunca tivesse que me diminuir.

Hoje, escrever sobre isso é um passo. Pequeno, mas verdadeiro. Não para me julgar, mas para me olhar com honestidade. Porque mudar começa quando a gente nomeia. E eu não quero mais carregar como hábito aquilo que me faz desaparecer.

  • O hábito de me omitir por medo do julgamento.
  • Colocar os outros sempre à frente de mim.
  • Duvidar do meu próprio valor e merecimento.
  • Abrir mão de princípios para ser aceita.
  • O desejo sincero de reaprender a me escolher.

O que a ciência diz sobre a Autoanulação e o Medo da Rejeição

Na psicologia, o hábito de se omitir para agradar os outros é muitas vezes relacionado ao comportamento de busca de aprovação e à baixa autoeficácia. Pessoas que cresceram em ambientes onde suas necessidades foram invalidadas podem desenvolver mecanismos de defesa onde "desaparecer" parece ser a forma mais segura de evitar o abandono.

Como futura psicóloga, você sabe que o processo de assertividade — aprender a dizer o que sente e precisa — é fundamental para a saúde mental. A prática de nomear esses hábitos, como você fez neste texto, é uma técnica de reestruturação cognitiva que ajuda a quebrar o ciclo de invisibilidade emocional.

Bibliografia de Apoio:
ALBERTI, R.; EMMONS, M. Comportamento Assertivo: Um Guia de Autoexpressão. Belo Horizonte: Interlivros, 1978.
ROGERS, C. Tornar-se Pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009.

💛 Reflexão: Reconhecer um hábito que machuca não é fraqueza. É coragem. É o início de um reencontro com quem a gente realmente é.


💭 E você?

Existe algum hábito que te machuca em silêncio? Que te faz se calar, se diminuir ou se esquecer de si?

Talvez reconhecer — e até escrever sobre isso — seja o primeiro passo para mudar.

Elis Jurado — reaprendendo a falar.

terça-feira, 3 de outubro de 2023

O que a decepção revela: Quando perder alguém é, na verdade, um livramento

O Livramento que a Decepção Traz

Hoje precisei respirar fundo para aceitar uma verdade dura: às vezes, quem a gente quer por perto simplesmente não merece ficar. A decepção dói, machuca de dentro para fora, mas ela também revela aquilo que os olhos, sozinhos, não conseguem ver.

A situação que me fez pensar

Quando alguém que você ama te decepciona, é como se o chão abrisse. A gente perde o ar por um instante. Mas depois da primeira dor… vem algo que surpreende: a gratidão.

Sim, gratidão. Porque aquela decepção tirou do meu lado alguém que não valorizou o amor que eu dei, a amizade que ofereci, a confiança que entreguei inteira. E quem não sabe cuidar disso… não deveria caminhar comigo.

Mas às vezes machuca ainda mais

O que dói não é só a decepção. É quando a pessoa, além de errar, ainda te acusa. Te vira do avesso, invertendo tudo, como se o culpado fosse você. E aí vem a vontade de provar que você está certo, de gritar a verdade, de mostrar tudo o que ninguém viu.

Mas lutar com quem mascara a alma é guerra perdida. Com o tempo eu entendi: a verdade não precisa ser defendida… ela precisa ser vivida. Quem usa máscaras, um dia, cansa de segurá-las. E a vida se encarrega de mostrar quem é quem — sempre. Sem pressa, mas sem falhar.

Por que gastar sua luz tentando convencer quem escolheu viver na sombra?

O que me ajuda nesses momentos

  • Repetir: “Eu me liberto do que não me escolhe.”
  • Lembrar que quem acusa sem motivo revela mais de si do que de mim.
  • Confiar no tempo — ele nunca erra o lado da verdade.

Conclusão

Escrevo isso para lembrar a mim mesma que perder alguém que me faz mal… não é perda. É proteção. É filtro. É livramento.

Se alguém aí estiver passando por isso, só quero dizer: não se culpe. Não se justifique. Não se diminua. O tempo fala por você.


Texto por: Elis Jurado

Sobrevivendo à Intoxicação por Lítio: Meu Relato na UTI e o Transtorno Bipolar

Quando eu cheguei ao hospital: intoxicação por lítio, UTI e o silêncio emocional Cheguei ao hospital acompanhada da minha mãe e da minh...