Sempre quis entender a mente humana. Talvez para tentar salvar a minha.
Desde muito cedo, algo em mim observava as pessoas. Não era curiosidade comum. Era quase uma necessidade.
Eu olhava os outros e pensava: o que passa aí dentro? Por que algumas pessoas parecem viver com leveza, enquanto outras carregam um peso invisível?
Durante anos, essa pergunta não era teórica. Era sobrevivência.
A tristeza me acompanhou em diferentes fases da vida. Às vezes silenciosa, às vezes esmagadora. E eu nunca entendi direito de onde ela vinha.
Nada “grave” parecia ter acontecido. Nada que justificasse tanto cansaço de existir.
E talvez por isso eu tenha começado a gostar de psicologia antes mesmo de saber o nome disso.
Eu queria entender as pessoas. Mas, no fundo, queria entender a mim.
Por muitos anos, isso ficou só no desejo. Não havia dinheiro, não havia tempo, não havia estrutura emocional.
A vida era pagar contas, cuidar dos outros, sobreviver aos próprios dias. Tentar mostrar alegria.
Enquanto isso, a pergunta continuava ecoando:
Por quê? Por que tanta tristeza ao longo da vida? O que acontece dentro da mente humana?
Agora, ironicamente, quando o diagnóstico chegou, quando os nomes começaram a fazer sentido, quando entendi que meu cérebro funciona diferente… surgiu também a oportunidade de estudar psicologia.
Não como romantização. Mas como tentativa de compreensão.
Eu estudo para ajudar pessoas, sim. Para atuar, sim.
Mas, principalmente, eu estudo porque preciso entender.
Entender o que aconteceu comigo. Entender o que acontece com quem sofre em silêncio. Entender por que a dor psíquica pode ser tão física, tão real, tão incapacitante Entender porque aquele que não sente aquela dor, julga tanto o que sente e sempre arruma "soluções mágicas" para o outro.
Talvez eu nunca encontre todas as respostas.
Mas sigo estudando, lendo, observando, vivendo.
Porque, se há algo que aprendi, é que ninguém sofre “à toa”. Não deve ser, não pode ser a toa.
E que entender a mente humana talvez não cure tudo — mas pode, ao menos, tornar a vida um pouco mais habitável.
Se você também passa a vida tentando entender por que sente o que sente, saiba: você não está sozinha.

