A depressão avisa no corpo antes de se revelar na mente.
Antes da tristeza profunda aparecer, meu corpo avisa. Não com palavras, mas com dor.
É uma dor muscular difusa, cervical, nos dedos. Às vezes parece reumatismo, às vezes tendinite. Nenhum analgésico resolve.
Eu durmo bem, mas acordo cansada. Sem ânimo. Sem vontade. Até atividades simples — como uma caminhada — passam a exigir um esforço que parece desproporcional.
A semana passada eu estava bem. Atenta. Disposta. Depois, aos poucos, vieram o choro, as dores espalhadas, a perda de interesse pelas coisas que eu gostava. Eu reconheço esse caminho. Já vivi isso outras vezes.
Meu corpo entra em depressão antes da minha mente aceitar.
O que a ciência explica sobre isso
Na bipolaridade, especialmente nas fases depressivas, o sofrimento não é apenas emocional. A literatura científica descreve fenômenos como fadiga central, lentificação psicomotora e aumento da sensibilidade à dor.
Mesmo sem alterações em exames de imagem, o sistema nervoso central pode amplificar sinais dolorosos. Isso não significa que a dor seja imaginária. Ela é neurobiológica.
Alterações nos neurotransmissores, no eixo do estresse e nos mecanismos de modulação da dor fazem com que o corpo sofra junto — e, muitas vezes, antes — do humor piorar de forma evidente.
- a dor não melhora com analgésicos comuns
- o cansaço não passa com descanso
- os exames permanecem normais
- a limitação física é real
Medicação e limites do tratamento
O bupropiona foi o medicamento que mais contribuiu para minha funcionalidade e energia. O lítio entrou como estabilizador, mesmo sem aliviar diretamente os sintomas físicos.
Estar medicada não significa estar imune à recaída. Significa, muitas vezes, reduzir riscos — não eliminar o sofrimento.
O que aprendi observando isso em mim
Aprendi a respeitar os sinais do corpo. Quando a dor aparece sem causa aparente, não interpreto mais como fraqueza.
Ainda estou refinando como lidar com isso. Ainda dói. Ainda limita. Mas hoje sei que não é preguiça, invenção ou falta de vontade. Me sinto triste porque as pessoas não entendem, apesar de não esperar que entendam, pois só entende quem sente ou já sentiu o mesmo.
Quando a dor vem, junto vêm a tristeza, a ansiedade, o medo e a vontade de sumir. Não de morrer — de pausar a existência por algumas horas, por dias... desaparecer...
Escrever isso não é reclamar. É nomear o que acontece de verdade.
- Você não está exagerando
- Seu corpo também sente a doença
- Estar em tratamento não te impede de sofrer
Você já percebeu seu corpo dando sinais antes da mente entender o que está acontecendo? Como foi?
Se sentir vontade, escreva nos comentários como isso aparece em você. Este espaço também é feito de escuta.
