Esses brigadeiros fizemos para comemorar o aniversário da minha mãe.

Porque essas pequenas coisas — um brigadeiro, uma risada na cozinha, uma forminha colorida — acabam salvando dias inteiros sem que a gente perceba.
Boa noite, amigos. 💛
Relatos reais de Elis sobre a rotina com transtorno bipolar. Como estudante de psicologia, compartilho enfrentamentos, o uso de medicação, a importância da terapia e o que realmente ajuda na saúde mental. Aqui a vida acontece como ela é, narrada por quem sente e estuda a mente humana. Um espaço para trocar experiências, falar sobre fé, autocuidado e aprender juntos que ninguém precisa estar sozinho. Venha conversar, se identificar e encontrar esperança e acolhimento em nossa jornada.

Porque essas pequenas coisas — um brigadeiro, uma risada na cozinha, uma forminha colorida — acabam salvando dias inteiros sem que a gente perceba.
Boa noite, amigos. 💛
E talvez esse seja o maior presente de todos.
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Hoje, enquanto caminhava para esfriar a cabeça, encontrei um cogumelo na calçada. Pequeno, discreto… mas tão vivo.
E aquilo me fez pensar.
Estava voltando para casa, cansada da rotina, do peso das preocupações, da sensação de que nada mudava.
Foi um dia em que eu me sentia estagnada — meio perdida, meio sobrevivendo no automático, sem grandes expectativas.
E então vi esse pequeno cogumelo, sozinho, brotando no meio do concreto.
Ninguém olhava. Ninguém se importava.
Mas eu parei.
Ajoelhei, respirei, observei.
E pela primeira vez em dias, algo dentro de mim ficou em silêncio.
Como se aquele pequeno ser dissesse:
“Mesmo no lugar errado, ainda dá pra florescer.”
Às vezes, a força não é grandiosa — é discreta, silenciosa, quase invisível.
É só o ato de continuar.
A beleza não precisa estar em grandes coisas.
Às vezes ela está ali, na beira da calçada, esperando que a gente desacelere por um segundo.
Esse dia me ensinou que:
Crescer é possível até nos ambientes mais difíceis.
A rotina pode esconder pequenas mensagens.
Pausar é tão importante quanto seguir.
O mundo ainda oferece beleza — mesmo quando estamos cansadas demais para procurar.
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| Arara do restaurante Costela de Chão Foto Elis Jurado |
Eu gosto de fotografar, mesmo sem entender muito.
Talvez porque, quando vejo algo bonito, consigo me esquecer por alguns instantes do peso que venho carregando.
E hoje, foi esse instante.
Em 2019, publiquei aqui sobre os desafios que minha mente enfrentava — barulho constante, pensamentos ruins e um sentimento profundo de tristeza. Foram meses muito turbulentos, dias em que parecia impossível encontrar paz.
Em maio daquele ano, ganhei uma afilhada (eu ainda contarei como foi exatamente) — um presente de Deus que mudou tudo. Ela passou a ficar comigo, dias seguidos. Dediquei meu tempo a cuidar, amar e me conectar com essa pequena vida que parecia ter vindo para me salvar.
Foi como se Deus tivesse enviado ela para me tirar do abismo. Durante esse tempo, deixei de escrever aqui, mas continuei registrando tudo em meu caderno.
Iniciei terapia semanal e passei a tomar medicamentos, sempre acompanhada pelo meu psiquiatra. Com o tempo, melhorei. Cheguei a ficar bem, a sentir a vida de forma mais leve… mas agora, sinto que o fundo do poço está se aproximando novamente. Ainda sigo o tratamento, mas as sombras da mente insistem em voltar.
Para me manter viva e presente, encontrei refúgio na fotografia. Aprendo, experimento e fotografo qualquer coisa que me toque — pequenos instantes, cores, luzes e detalhes. Talvez algumas postagens não façam muito sentido, mas cada foto é uma parte de mim, um registro da vida que persiste mesmo nos dias difíceis. Autorizo o uso das minhas fotos, basta me dar os devidos créditos.
Hoje compartilho meu carro, meu Argo, que está comigo desde 2017. Gosto de dirigir, de sentir o vento, e admiro os girassóis — flores que me lembram que, mesmo diante da escuridão, há sempre algo para iluminar o caminho.
Cada instante, cada foto, cada cuidado e cada sorriso com minha afilhada são lembretes de que a vida ainda pode ser bonita, mesmo quando a mente tenta apagar a cor do mundo.
O relato da Elis sobre encontrar refúgio na fotografia e no cuidado com a afilhada exemplifica o que a neuropsicologia chama de Regulação Emocional Baseada em Atividades. No Transtorno Bipolar, os ciclos de humor podem causar uma "perda de cor" na percepção da realidade. Atividades criativas funcionam como âncoras cognitivas, ajudando o cérebro a sair do estado de ruminação (pensamentos negativos repetitivos) e focar no estímulo visual presente.
Além disso, o vínculo afetivo (cuidar da afilhada) estimula a produção de ocitocina e dopamina, neurotransmissores que auxiliam na estabilização do humor e promovem o sentimento de propósito, fundamental para enfrentar as fases de depressão.
Bibliografia de Apoio:
DALAI, S. S. Arteterapia e Saúde Mental. Wak Editora, 2019.
STAL, S. M. Psicofarmacologia: Bases Neurocientíficas e Aplicações Práticas. Guanabara Koogan, 2014.
Se você também enfrenta dias difíceis, encontre um pequeno refúgio para se apoiar — um caderno, uma foto, uma caminhada, um gesto de carinho. Mesmo quando tudo parece pesado, pequenos momentos de amor, atenção ou beleza podem devolver a força que você precisa para continuar.
Tente hoje: escreva, fotografe, sorria ou apenas observe algo bonito à sua volta. Cada pequeno gesto conta. A vida ainda pode ser bonita, mesmo quando a mente tenta apagar a cor do mundo.
Me conta nos comentários de você faz alguma atividade que você gosta, qual é, e como você se sente hoje.
E se você sentir que está sozinho ou em perigo emocional, procure ajuda — nunca precisa passar por isso só:
📞 CVV – 188 (atendimento 24h)
Texto por: Elis Jurado
Quando eu cheguei ao hospital: intoxicação por lítio, UTI e o silêncio emocional Cheguei ao hospital acompanhada da minha mãe e da minh...