Houve um tempo em que eu fiquei dormindo dentro de mim
Levei tempo demais ali, adormecida por dentro. Não sentia quase nada. Talvez não fosse vazio — talvez fosse cansaço. Cansaço de aguentar, de insistir, de sobreviver em silêncio.
Existe um nó que mora no meu peito. Às vezes ele sobe, aperta a garganta, rouba o ar. Não é drama. É o corpo lembrando de tudo o que a boca não conseguiu dizer.
Mesmo assim, ainda existem mãos que me chamam de volta. Mãos de esperança. Mãos que ficam quando eu mesma desisto de mim. São elas que, vez ou outra, me devolvem a fé que pensei ter perdido.
Aprendi cedo que o mundo tenta nos convencer a ir embora. A soltar o que é nosso. A abandonar a raiz. Mas também aprendi que ir embora demais é deixar espaço para quem nunca cuidou.
Tem dias em que as forças acabam. Eles te cansam de propósito. Te tiram o fôlego para que você não reaja. Reescrevem sua história, escondem os livros, na tentativa de te fazer esquecer quem você foi.
Mas eu lembro. Lembro que já fui livre. Que já voei alto. Que já acreditei em finais bons.
Hoje, às vezes, me sinto enjaulada. Com as asas machucadas. Vivendo de migalhas emocionais. Mas ainda assim, sigo.
Sigo porque foi isso que me ensinaram em casa: continuar. Cuidar da raiz, mesmo quando o chão está seco. Viver, mesmo quando viver dói.
Talvez eu não escreva finais perfeitos. Mas escrevo finais possíveis. Finais que honram quem eu sou e a terra emocional de onde eu vim.
Reflexão:
Nem sempre estar parado é desistir.
Às vezes, é só o tempo que a alma precisa para acordar.
💭 E você?
Em que parte do caminho você sente que adormeceu?
E o que ainda te faz querer ficar?
Se esse texto te atravessou, deixe um comentário.
Às vezes, ser visto já é um recomeço.
Se o cansaço emocional estiver pesado demais, procure ajuda. Médicos, psicologos, psiquiatras.

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