Mostrando postagens com marcador relacionamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador relacionamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Dá certo ser bipolar em um relacionamento? Quando a casa deixa de ser refúgio

Quando até em casa eu não posso descansar

Dentro da minha casa — que teoricamente deveria ser o lugar mais seguro do mundo — existem conflitos, cobranças e uma falta de compreensão que dói mais do que muita coisa lá fora.

Eu não sou a melhor pessoa do mundo.
Não me coloco num pedestal.
Não me gabo de nada.

Sou apenas alguém consciente.
Consciente de que viver com uma pessoa bipolar não é fácil.
Consciente de que conviver com oscilações de humor, silêncio e recolhimento pode ser cansativo.

Mas existe algo que preciso dizer com honestidade:
eu não sou alguém que explode, que grita, que agride, que desconta.

Quando fico mal, eu me recolho.
Fico quieta.
Me isolo de verdade.
Não incomodo ninguém.

Desde o início do meu relacionamento, eu ainda não tinha diagnóstico, mas já carregava uma vida marcada por tristeza, depressões profundas, altos e baixos, e a necessidade constante de acompanhamento psicológico.

Eu contei isso.
Contei com todas as letras.

Disse que havia épocas em que eu ficava muito mal.
Disse que nem eu mesma me suportava nesses períodos.
Disse que era doloroso, confuso, pesado.
E perguntei, com medo e honestidade, se ela estava disposta a viver isso comigo.

Ela disse que sim.
Disse que entendia.
Disse que estaria comigo.

E esteve.
Na primeira grande crise, esteve.

Mas as crises não são únicas.
Elas vão… e depois voltam.
O humor afunda sem que nada, absolutamente nada, tenha acontecido.

Com o passar dos anos, o apoio foi se transformando em cobrança:

“Você está assim por causa disso.”
“Você não deveria sofrer por aquilo.”
“Você está brava.”
“Você não pode se isolar.”
“Isso não é normal.”

E aí vem a parte mais cruel.

A fase já é ruim.
A doença já é pesada.
E, além disso, eu não posso ser eu.

Já nem sei mais quem sou.
Porque há muitos anos venho fingindo.
Engolindo.
Aceitando.
Me moldando.

Tudo para não magoar ninguém.
Para não preocupar.
Para não ser julgada.
Para evitar cobranças que machucam mais do que ajudam.

Na fase melancólica, o que eu mais preciso é ficar sozinha comigo mesma.
Não por rejeição.
Mas por necessidade.

Preciso desse silêncio para descansar.
Para ser quem sou sem performance.
Para conversar comigo.
Para sobreviver.

Mas isso quase nunca acontece.
Porque sempre preciso disfarçar.
Sempre preciso parecer melhor do que estou.

E cansa.
Cansa de um jeito profundo.


O que a ciência diz

A psicologia e a psiquiatria reconhecem que, em transtornos do humor, o recolhimento temporário pode ser uma estratégia legítima de autorregulação emocional.

Estudos mostram que forçar interação, explicações constantes ou exigir estabilidade emocional durante fases depressivas pode aumentar sofrimento, culpa e exaustão psíquica.

Em muitos casos, respeitar o tempo interno da pessoa não piora o quadro — pelo contrário, ajuda a evitar agravamentos.

Isolamento não é sempre abandono.
Às vezes, é sobrevivência.


Esse não é um desabafo isolado. É parte de uma história que ainda precisa ser contada.

Você já se sentiu assim dentro da própria casa?
Já precisou de silêncio, mas foi cobrado por explicações?

Se esse texto tocou em algo aí dentro, escreve aqui.
Conta como é para você.
Ou compartilha com alguém que precisa entender que, às vezes, amar também é saber respeitar o recolhimento do outro.

Ninguém deveria precisar fingir para caber onde mora Escrevo não para acusar, mas para existir. Porque existir, às vezes, já é difícil o suficiente.

Se você estiver em sofrimento intenso, procure ajuda. CVV – 188 (24h, gratuito).

Dá certo ser bipolar em um relacionamento? Quando a casa deixa de ser refúgio

Quando até em casa eu não posso descansar Dentro da minha casa — que teoricamente deveria ser o lugar mais seguro do mundo — existem c...