segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Quando eu começo a cair, e ninguém percebe

Quando eu começo a cair, mas ninguém percebe

Tem uma fase que quase ninguém vê.
Ela não é crise.
Não é choro constante.
Não é cama, nem escuro, nem desistência.

É quando eu ainda estou funcionando.

Eu acordo. Trabalho. Respondo mensagens. Sorrio quando preciso.
Por fora, tudo parece normal.
Por dentro, alguma coisa já começou a desligar.

O corpo pesa antes da tristeza.
O entusiasmo diminui antes do desânimo.
A vida vai ficando fria, como se alguém estivesse abaixando o volume do mundo.

Eu continuo indo, mas sem prazer.
Continuo falando, mas sem vontade.
Continuo vivendo, mas sem presença. Continuo existindo, respirando... E com o sorriso falso no rosto. (quase sempre é fácil, não compartilho o tamanho da minha dor).

E o pior não é cair, acho que não.
É saber que está começando... Começando de novo, sem data para acabar, e que nem poderei sofrer em paz, porque o povo não deixa.

Porque hoje eu reconheço o padrão.
Eu sei que essa fase é o aviso.
Sei que depois vem o cansaço extremo.
Depois a dor difusa.
Depois a culpa.
Depois o medo. A ansiedade. A angústia. A irritabilidade e a necessidade de ficar só, quieta, em paz, sem barulho, sem ninguém.
Depois aquela sensação antiga e conhecida:
“lá vem de novo, não aguento mais... Até quando?”.

Ninguém percebe porque ainda não dói o suficiente para fora.
Mas por dentro já dói demais.

Às vezes eu penso:
se eu não tivesse diagnóstico, talvez sofresse menos.
Porque antes eu só caía.
Agora eu caio sabendo. Sei lá, fico pensando, mas na verdade, acho que não muda nada com o diagnóstico, o diagnóstico me ajudou a obeservar mais e ter tempo para me preparar... Se bem que nem sei como se prepara para um abismo que você sabe que vem. Será que tem como se preparar para sofrer?

E isso tem um peso que não aparece em exame nenhum.

Frase de impacto:
“O mais difícil não é estar em depressão. É perceber que ela está chegando e não conseguir impedir.”


O que a ciência explica

Nos transtornos bipolares, a transição entre fases raramente é abrupta. Estudos indicam que a recaída costuma começar por sintomas físicos e cognitivos, antes do humor claramente deprimido.

  • fadiga desproporcional
  • perda de prazer (anedonia precoce)
  • lentificação mental
  • aumento da ruminação
  • hipersensibilidade ao estresse

Neurobiologicamente, há uma redução progressiva da atividade dos sistemas de recompensa e motivação. O corpo e o funcionamento mental sentem primeiro. O humor vem depois.

A medicação não elimina totalmente os episódios. Ela reduz intensidade, duração e risco de destruição. Estabilidade não é ausência de recaídas — é atravessar com menos danos.


Se você está nessa fase silenciosa — funcionando por fora e se apagando por dentro — isso não te torna fraca.

Te torna alguém que está lutando antes da queda, mesmo sem saber que não vai resolver.

E isso também é sobrevivência. Sim, eu sobrevivo. Creio que a maioria de nós sobrevivemos.


💬 Se isso tocou você:
Você já sentiu essa fase silenciosa, em que o corpo começa a cair antes da mente?

Deixe um comentário. Às vezes, colocar em palavras é o primeiro jeito de não atravessar isso sozinha.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Me odeio

Me odeio, o odeio me odiar

Tem dias em que eu queria escrever algo positivo.
Algo que me fizesse sentir um pouco melhor comigo mesma.
Masmuitas vezes não sai.

Hoje, quem mais me machuca sou eu.
O jeito como eu me olho.
O jeito como eu me falo.
O jeito como sou.
O jeito como eu me cobro.

Eu me torno minha pior inimiga sem perceber.
Repito coisas duras na minha cabeça.
Vivo um castigo silencioso que ninguém vê.Muitas vezes nem eu vejo.

Tem dias em que eu odeio meu corpo. Quase sempre...
Meus braços.
Minha barriga.
Meu rosto.
O reflexo que aparece de surpresa em um vidro qualquer.

Odeio como a roupa cai em mim.
Odeio pensar que estão me olhando quando eu rio.
Odeio me olhar no espelho.
Odeio sentir que meu corpo é meu — como se isso fosse um peso.

Odeio nunca estar satisfeita.
Odeio querer ser perfeita.
Odeio essa busca por mim mesma.
Odeio esses sintomas.
Odeio essa bipolaridade.
Odeio o quanto tudo me afeta, o quanto tudo importa demais.

Já tentei mudar isso.
Escrevi afirmações.
Tentei brigar com as emoções.
Tentei ser racional.

Mas, às vezes, nada muda. Nunca muda...
E quando não muda, parece que o ódio só cresce. Diariamente...

Odeio meu cabelo, ou o que restou dele.
Odeio meus dentes.
Odeio sentir ciúmes.
Odeio essa ansiedade, esse medo, essa angustia.
Odeio sentir limitada, impotente, cansada, velha.
Odeio pensar que sempre tem algo quebrado em mim.

Odeio sair em fotos.
Odeio não conseguir ficar tranquila.
Odeio essas crises de choro, os limites de cognição.
Odeio esses lapsos de memória.
Odeio sentir que todos me observam, mesmo quando ninguém está.

E o mais difícil de admitir:

Eu odeio me odiar.
Mas continuo odiando.

Isso não é drama.
Não é vitimismo.
É exaustão emocional.Estou cansada e as vezes perco as esperanças...

É acordar cansada de existir dentro da própria cabeça.
É carregar um peso que não aparece em exames.
É lutar com a própria imagem, com a própria mente, com o próprio nome.

Talvez amanhã eu me trate melhor.
Talvez amanhã eu consiga escrever algo bonito.

Hoje, não.

Hoje, eu só estou sendo honesta.


📚 O que a ciência diz

A psicologia reconhece que o auto-ódio persistente está frequentemente associado a transtornos do humor, transtornos de ansiedade e experiências prolongadas de autocrítica.

Estudos indicam que lutar contra pensamentos negativos o tempo todo pode aumentar o sofrimento. Em alguns momentos, reconhecer o que se sente — sem corrigir, sem maquiar — é o primeiro passo para reduzir a intensidade da dor.

Nomear não piora.
Negar, sim.


Se você leu isso e se reconheceu,
saiba: você não é fraca.

Você está cansada, como eu, como tantos...

E cansar de si mesma dói mais do que qualquer coisa.

💬 Me conta:

Você também tem dias em que se olha e não se reconhece?
Dias em que a maior batalha é contra você mesma?

Se esse texto te atravessou, escreve aqui.
E se conhecer alguém que vive essa luta silenciosa, compartilha.

Às vezes, a primeira forma de cuidado
é parar de fingir que está tudo bem, é isso o que eu mais faço.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Nem todo dia é sobre melhorar: o valor de apenas estar consigo

Hoje eu não quero melhorar, só quero ficar comigo.

Hoje eu quero andar pela casa com as luzes apagadas.
Não para fazer cena, nem porque fica bonito.
Mas porque quando a gente já está cansada por dentro, a claridade incomoda.

A luz cansa os olhos.
O barulho cansa a cabeça.
E até existir parece exigir uma energia que hoje eu já não tenho.

Hoje eu não quero fingir como estou.
Não quero responder “tô bem”.
Não quero explicar nada, nem organizar sentimento pra ninguém entender.

Quero andar descalça, usar a roupa velha, sentar no sofá e ir pra cama sem me encarar no espelho.
Sem performance. Sem pose. Sem força.

Tem dias em que até quem tenta ajudar pesa.
Não porque eu não ame.
Mas porque o silêncio, às vezes, é o único lugar onde dá pra respirar.

Hoje eu queria ignorar o mundo sem culpa.
Chorar sem alguém dizendo que vai passar.
Sentir a dor sem ser apressada pra melhorar.

Tem um tipo de tristeza que não quer solução.
Ela só quer espaço.

Hoje eu não quero ser cuidada.
Não quero ser consertada.
Não quero ser forte, nem consciente, nem exemplo pra ninguém.

Hoje eu queria deixar cair um pouco tudo aquilo que eu seguro há tanto tempo.
Porque manter tudo inteiro, o tempo todo, também cansa.

Talvez você entenda.
Talvez você também já tenha sentido isso: a necessidade de deixar a ferida passar pela vida, sem anestesia, sem ser incomodado por ninguém, sem dar explicações, sem fazer de conta que esta tudo bem, poder chorar quando der vontade.

Não é desistir da vida.
É querer viver sem fingir.

É saber que ninguém chega no alto sem conhecer o fundo.
Nem que seja por um momento.


📚 O que a ciência diz

A psicologia reconhece a importância da retirada emocional voluntária em períodos de sobrecarga psíquica.

Estudos mostram que permitir sentir emoções difíceis — sem negar, corrigir ou apressar — contribui para uma regulação emocional mais saudável ao longo do tempo.

Forçar positividade, produtividade ou reação imediata pode aumentar o sofrimento, especialmente em pessoas com ansiedade ou transtornos do humor.

Sentir não é fraqueza. Às vezes, é exatamente o que evita o colapso.


Hoje eu só quero estar comigo.
Sem promessa de melhora.
Sem discurso bonito. Eu só quero poder ser eu, sem culpa, sem perguntas, sem julgamentos.

Só existir — do jeito que der e se der.

Texto por: Elis Jurado

💬 Me conta:

Você também tem dias assim?
Dias em que não queria conselho, nem cuidado — só ficar consigo?

Se esse texto falou com você, escreve aqui.
E se conhecer alguém que precise se permitir sentir sem fingir, compartilha.

Às vezes, dar espaço para a dor é o primeiro gesto real de autocuidado. Conte um pouco de você, vamos conversar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Sempre quis entender a mente humana. Talvez para tentar salvar a minha

Sempre quis entender a mente humana. Talvez para tentar salvar a minha.

Desde muito cedo, algo em mim observava as pessoas. Não era curiosidade comum. Era quase uma necessidade.

Eu olhava os outros e pensava: o que passa aí dentro? Por que algumas pessoas parecem viver com leveza, enquanto outras carregam um peso invisível?

Durante anos, essa pergunta não era teórica. Era sobrevivência.

A tristeza me acompanhou em diferentes fases da vida. Às vezes silenciosa, às vezes esmagadora. E eu nunca entendi direito de onde ela vinha.

Nada “grave” parecia ter acontecido. Nada que justificasse tanto cansaço de existir.

E talvez por isso eu tenha começado a gostar de psicologia antes mesmo de saber o nome disso.

Eu queria entender as pessoas. Mas, no fundo, queria entender a mim.

Por muitos anos, isso ficou só no desejo. Não havia dinheiro, não havia tempo, não havia estrutura emocional.

A vida era pagar contas, cuidar dos outros, sobreviver aos próprios dias. Tentar mostrar alegria.

Enquanto isso, a pergunta continuava ecoando:

Por quê? Por que tanta tristeza ao longo da vida? O que acontece dentro da mente humana?

Agora, ironicamente, quando o diagnóstico chegou, quando os nomes começaram a fazer sentido, quando entendi que meu cérebro funciona diferente… surgiu também a oportunidade de estudar psicologia.

Não como romantização. Mas como tentativa de compreensão.

Eu estudo para ajudar pessoas, sim. Para atuar, sim.

Mas, principalmente, eu estudo porque preciso entender.

Entender o que aconteceu comigo. Entender o que acontece com quem sofre em silêncio. Entender por que a dor psíquica pode ser tão física, tão real, tão incapacitante Entender porque aquele que não sente aquela dor, julga tanto o que sente e sempre arruma "soluções mágicas" para o outro.

Talvez eu nunca encontre todas as respostas.

Mas sigo estudando, lendo, observando, vivendo.

Porque, se há algo que aprendi, é que ninguém sofre “à toa”. Não deve ser, não pode ser a toa.

E que entender a mente humana talvez não cure tudo — mas pode, ao menos, tornar a vida um pouco mais habitável.


Se você também passa a vida tentando entender por que sente o que sente, saiba: você não está sozinha.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Desafio 30 dias — Dia 5

Desafio 30 dias — Dia 5

Uma foto de algum lugar onde eu já estive

Esse lugar existe.
Silencioso. Verde. Calmo.
Um caminho de madeira que atravessa as árvores como quem promete descanso.

É o tipo de lugar que muita gente chama de paz.
Onde o barulho diminui, o corpo desacelera e o mundo parece menos agressivo.
E, sim — muitas vezes é exatamente isso que a gente precisa.

Mas hoje eu preciso ser honesta.

Existem momentos da bipolaridade em que nem lugares assim conseguem alcançar a gente.
Você anda.
Você olha.
Você respira fundo.
E, mesmo assim, o choro vem.
A tristeza fica.
O peito continua pesado.

Não é falta de gratidão.
Não é drama.
Não é frescura.

É a mente em guerra consigo mesma.

Esse caminho já me acolheu…
mas também já me viu caminhar por dentro chorando, em modo automático,
tentando entender por que nem o que é bonito consegue aliviar.

E isso dói.
Dói porque a gente se cobra:
“Era pra eu estar bem aqui.”
“Era pra eu me sentir melhor.”
“O problema sou eu.”

Não.
O problema não é você, não sou eu, não somos nós.

Às vezes, o passeio ajuda.
Às vezes, não ajuda em nada.
E nos dois casos, está tudo bem.

Hoje eu olho pra essa foto e sinto duas coisas ao mesmo tempo:
🌿 vontade de voltar
💔 lembrança de que nem sempre a paz externa alcança a interna

Talvez a maturidade emocional esteja exatamente aí:
em aceitar que existem dias em que nem o lugar mais calmo do mundo dá conta da nossa dor —
e, mesmo assim, a gente continua caminhando.

Um passo de cada vez.
Mesmo triste.
Mesmo cansada.
Mesmo sem sentir nada.


📚 O que a ciência diz

Estudos em psicologia mostram que, em transtornos do humor, estímulos externos positivos (natureza, passeios, silêncio) nem sempre conseguem modular o estado emocional.

Isso acontece porque o sofrimento não está apenas na experiência, mas em alterações neurobiológicas que afetam prazer, motivação e regulação emocional.

Ou seja: não é falta de esforço.
É doença — e precisa ser respeitada.


Hoje, essa foto não é sobre um lugar bonito.
É sobre seguir andando, mesmo quando a beleza não alcança.

💬 Me conta:

Você já esteve em um lugar lindo, calmo, silencioso…
e ainda assim se sentiu vazio(a) ou triste?

Se fizer sentido, compartilha sua experiência aqui.
E se conhecer alguém que precisa entender que nem sempre o ambiente cura, compartilha esse texto.

Às vezes, só saber que não estamos sozinhos já muda o peso do caminho.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Eu ainda acredito em mim

Eu ainda acredito em mim

Já me disseram, de tantas formas diferentes, que eu não servia pra nada.
Que eu exagerava.
Que eu sentia demais.
Que o espaço que eu ocupava era grande demais para alguém como eu.

Houve dias em que essas palavras não ficaram só do lado de fora.
Elas entraram.
Grudaram na pele.
E fizeram morada dentro de mim.

Teve um tempo em que fui encurralada contra mim mesma.
Cansada demais para lutar.
Cansada demais até para chorar.
Quando perder as lágrimas pareceu mais fácil do que sustentar a dor.

Mas eu estou aqui.
De pé.
Alerta.
Mesmo com cicatrizes que ninguém vê.

Não sou resto.
Não sou sobra.
Não sou “zero à esquerda”, como tentaram me fazer acreditar.

Eu acredito em mim.
Mesmo quando a voz treme.
Mesmo quando a confiança falha.
Mesmo quando tudo dentro de mim parece em guerra.

Aprendi cedo que viver em constante batalha muda a gente.
As guerras emocionais não me destruíram — me deram asas.
Não asas bonitas.
Asas de metal.
Pesadas.
Forjadas na dor.

Hoje eu voo diferente.
Não porque não tenho medo,
mas porque me recuso a rastejar de novo.

Já não estou em liquidação emocional.
Já não me ofereço pela metade.
Já não aceito migalhas de respeito.

Somos todos diferentes.
E é exatamente isso que nos torna únicos.
Não preciso caber no molde de ninguém para existir.

Passei pelo pior.
Sobrevivi a versões minhas que quase não suportei.
E sigo acreditando — mesmo cansada — que o melhor ainda pode chegar.


🧠 Um olhar da ciência

A psicologia entende que pessoas que atravessam sofrimento emocional intenso desenvolvem mecanismos profundos de sobrevivência.

A autoestima, nesses casos, não nasce do elogio fácil, mas da reconstrução diária após a dor.

Acreditar em si não é arrogância.
É resistência.
É saúde emocional em construção.


💬 E você?

Em que momento da vida você quase deixou de acreditar em si?
E o que te trouxe de volta?

Às vezes, acreditar em si é o ato mais revolucionário que existe.

Se você estiver passando por um momento difícil, procure ajuda.
CVV – 188 (24h), procure um psiquiatra, um psicólogo.

Estável não é igual a bem

🌸 Estável não é igual a bem

Quando estou “muito bem”, tudo funciona. Tenho mais energia, mais produtividade, mais ideias, mais disposição social. Durmo menos e ainda assim acordo bem. Sou mais legal, consigo ouvir músicas, participar de pequenos eventos.

O corpo não dói. Ou dói muito pouco. A vida parece finalmente possível. Acho que é quando sinto alegria de verdade.

Hoje eu sei: esse “estar muito bem” não é só ausência de sofrimento. É uma felicidade que, infelizmente, não se sustenta. Eu digo ao psiquiatra que amo estar assim, mas comecei a entender a preocupação dele com esse “bem demais”. Não é porque seja ruim — é porque não se mantém. É bom, mas passa. Sempre passa. E a fase que vem depois costuma ser muito dolorida. Ele me explicou de forma direta: quanto mais alto o pico, mais profunda pode ser a queda. Por isso a medicação é ajustada para um meio-termo. Não para tirar a vida, mas para evitar que, quando a depressão vier — porque nos transtornos bipolares ela não é totalmente evitável — ela venha com força suficiente para destruir tudo.


Quando o “bem demais” começa a preocupar

Antes da queda, quase sempre há sinais. Mais energia do que o habitual. Menos necessidade de sono. Mais confiança. Mais resolutividade.Mais alegria de verdade.E medo da alegria, porque sei o que vem depois. Estou feliz por estar bem, mas já preocupada também, pois no decorrer desses anos, sei que não dura, nunca serei feliz de verdade eu acho.

Não vem irritação. Não vem desorganização. Vem eficiência. Vem a vontade de viver e o ânimo que falta a maior parte da vida.

E talvez por isso seja tão difícil perceber onde está o limite.

Quando estou bem demais, aprendi que preciso observar — não comemorar sem cuidado. É triste! Mas é isso, não posso ficar tão feliz por estar feliz... Não sei exatamente quanto tempo vai durar a alegria, as vezes mais, outras menos, mas a certeza é que passa.


Quando a queda começa

A descida não começa na mente. Começa no corpo. Geralmente tem sido assim depois que comecei a prestar mais atenção em mim.

Vem o cansaço. As dores. A indisposição. A perda de ânimo para coisas que antes davam prazer. Estou vivendo isso agora, o início de uma depressão, que não sei quanto profunda será, mas sei que está começando, mesmo medicada.

A mente, então, começa a correr para o futuro — sempre para cenários ruins. Medo de recaída. Medo de não dar conta. Medo de perceberem. Medo de ter que trocar medicação. Medo dos efeitos colaterais. Medo de dessa vez partir de verdade... Porque não faltam ideias e planos para isso.

A culpa aparece forte. Pensamentos duros. Autojulgamento. Revisões intermináveis da própria vida. Sinto um vazio! Me sinto um nada, um lixo, uma incapaz e questiono milhares de vezes, porque ainda estou aqui?

E junto disso, aquela frase silenciosa:

“Lá vem de novo. Eu não aguento mais!”


O que a ciência chama de estabilidade

Na psiquiatria, estabilidade não significa bem-estar pleno. Significa redução de extremos.

O tratamento busca evitar colapsos graves, hospitalizações, impulsividades e riscos maiores. Ele não promete ausência de dor.

Hoje, com diagnóstico, tenho mais consciência. Consigo identificar sinais. Evitar alguns gatilhos. Mas isso não significa controle total.O controle total não existe, nunca vai existir.

Significa conviver com ciclos — mesmo medicada.As recaídas serão para sempre, já entendi.


O luto silencioso

Existe um luto pouco falado: o luto por saber que a estabilidade passa.

Eu me esforço. Sou forte. Sustento muita coisa. Mas quando o corpo começa a esfriar, a depressão ocupa espaço.

O estresse não fica só na mente. Já virou prurido intenso, erupções na pele, dificuldade para respirar, necessidade de medicação. O corpo responde quando o limite é ultrapassado.

Não é falta de vontade. Não é fraqueza. É doença atravessando a vida.


Você já percebeu esse “bem demais” antes da queda?

Se sentir vontade, escreva nos comentários como isso acontece com você. Este espaço também é feito de escuta.

Quando o corpo cansa antes da alma avisar: ansiedade, esgotamento e dor invisível

Quando o corpo cansa antes da alma avisar Estou cansada. Um cansaço que não se resolve dormindo. Desde o início desta semana, o esgota...