Me odeio, o odeio me odiar
Tem dias em que eu queria escrever algo positivo.
Algo que me fizesse sentir um pouco melhor comigo mesma.
Masmuitas vezes não sai.
Hoje, quem mais me machuca sou eu.
O jeito como eu me olho.
O jeito como eu me falo.
O jeito como sou.
O jeito como eu me cobro.
Eu me torno minha pior inimiga sem perceber.
Repito coisas duras na minha cabeça.
Vivo um castigo silencioso que ninguém vê.Muitas vezes nem eu vejo.
Tem dias em que eu odeio meu corpo. Quase sempre...
Meus braços.
Minha barriga.
Meu rosto.
O reflexo que aparece de surpresa em um vidro qualquer.
Odeio como a roupa cai em mim.
Odeio pensar que estão me olhando quando eu rio.
Odeio me olhar no espelho.
Odeio sentir que meu corpo é meu — como se isso fosse um peso.
Odeio nunca estar satisfeita.
Odeio querer ser perfeita.
Odeio essa busca por mim mesma.
Odeio esses sintomas.
Odeio essa bipolaridade.
Odeio o quanto tudo me afeta, o quanto tudo importa demais.
Já tentei mudar isso.
Escrevi afirmações.
Tentei brigar com as emoções.
Tentei ser racional.
Mas, às vezes, nada muda. Nunca muda...
E quando não muda, parece que o ódio só cresce. Diariamente...
Odeio meu cabelo, ou o que restou dele.
Odeio meus dentes.
Odeio sentir ciúmes.
Odeio essa ansiedade, esse medo, essa angustia.
Odeio sentir limitada, impotente, cansada, velha.
Odeio pensar que sempre tem algo quebrado em mim.
Odeio sair em fotos.
Odeio não conseguir ficar tranquila.
Odeio essas crises de choro, os limites de cognição.
Odeio esses lapsos de memória.
Odeio sentir que todos me observam, mesmo quando ninguém está.
E o mais difícil de admitir:
Eu odeio me odiar.
Mas continuo odiando.
Isso não é drama.
Não é vitimismo.
É exaustão emocional.Estou cansada e as vezes perco as esperanças...
É acordar cansada de existir dentro da própria cabeça.
É carregar um peso que não aparece em exames.
É lutar com a própria imagem, com a própria mente, com o próprio nome.
Talvez amanhã eu me trate melhor.
Talvez amanhã eu consiga escrever algo bonito.
Hoje, não.
Hoje, eu só estou sendo honesta.
📚 O que a ciência diz
A psicologia reconhece que o auto-ódio persistente está frequentemente associado a transtornos do humor, transtornos de ansiedade e experiências prolongadas de autocrítica.
Estudos indicam que lutar contra pensamentos negativos o tempo todo pode aumentar o sofrimento. Em alguns momentos, reconhecer o que se sente — sem corrigir, sem maquiar — é o primeiro passo para reduzir a intensidade da dor.
Nomear não piora.
Negar, sim.
Se você leu isso e se reconheceu,
saiba: você não é fraca.
Você está cansada, como eu, como tantos...
E cansar de si mesma dói mais do que qualquer coisa.
💬 Me conta:
Você também tem dias em que se olha e não se reconhece?
Dias em que a maior batalha é contra você mesma?
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E se conhecer alguém que vive essa luta silenciosa,
compartilha.
Às vezes, a primeira forma de cuidado
é parar de fingir que está tudo bem, é isso o que eu mais faço.





