Hoje eu não quero melhorar, só quero ficar comigo.
Hoje eu quero andar pela casa com as luzes apagadas.
Não para fazer cena, nem porque fica bonito.
Mas porque quando a gente já está cansada por dentro, a claridade incomoda.
A luz cansa os olhos.
O barulho cansa a cabeça.
E até existir parece exigir uma energia que hoje eu já não tenho.
Hoje eu não quero fingir como estou.
Não quero responder “tô bem”.
Não quero explicar nada, nem organizar sentimento pra ninguém entender.
Quero andar descalça, usar a roupa velha, sentar no sofá e ir pra cama sem me encarar no espelho.
Sem performance. Sem pose. Sem força.
Tem dias em que até quem tenta ajudar pesa.
Não porque eu não ame.
Mas porque o silêncio, às vezes, é o único lugar onde dá pra respirar.
Hoje eu queria ignorar o mundo sem culpa.
Chorar sem alguém dizendo que vai passar.
Sentir a dor sem ser apressada pra melhorar.
Tem um tipo de tristeza que não quer solução.
Ela só quer espaço.
Hoje eu não quero ser cuidada.
Não quero ser consertada.
Não quero ser forte, nem consciente, nem exemplo pra ninguém.
Hoje eu queria deixar cair um pouco tudo aquilo que eu seguro há tanto tempo.
Porque manter tudo inteiro, o tempo todo, também cansa.
Talvez você entenda.
Talvez você também já tenha sentido isso: a necessidade de deixar a ferida passar pela vida, sem anestesia, sem ser incomodado por ninguém, sem dar explicações, sem fazer de conta que esta tudo bem, poder chorar quando der vontade.
Não é desistir da vida.
É querer viver sem fingir.
É saber que ninguém chega no alto sem conhecer o fundo.
Nem que seja por um momento.
📚 O que a ciência diz
A psicologia reconhece a importância da retirada emocional voluntária em períodos de sobrecarga psíquica.
Estudos mostram que permitir sentir emoções difíceis — sem negar, corrigir ou apressar — contribui para uma regulação emocional mais saudável ao longo do tempo.
Forçar positividade, produtividade ou reação imediata pode aumentar o sofrimento, especialmente em pessoas com ansiedade ou transtornos do humor.
Sentir não é fraqueza. Às vezes, é exatamente o que evita o colapso.
Hoje eu só quero estar comigo.
Sem promessa de melhora.
Sem discurso bonito.
Eu só quero poder ser eu, sem culpa, sem perguntas, sem julgamentos.
Só existir — do jeito que der e se der.
Texto por: Elis Jurado
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