quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Estável não é igual a bem

🌸 Estável não é igual a bem

Quando estou “muito bem”, tudo funciona. Tenho mais energia, mais produtividade, mais ideias, mais disposição social. Durmo menos e ainda assim acordo bem. Sou mais legal, consigo ouvir músicas, participar de pequenos eventos.

O corpo não dói. Ou dói muito pouco. A vida parece finalmente possível. Acho que é quando sinto alegria de verdade.

Hoje eu sei: esse “estar muito bem” não é só ausência de sofrimento. É uma felicidade que, infelizmente, não se sustenta. Eu digo ao psiquiatra que amo estar assim, mas comecei a entender a preocupação dele com esse “bem demais”. Não é porque seja ruim — é porque não se mantém. É bom, mas passa. Sempre passa. E a fase que vem depois costuma ser muito dolorida. Ele me explicou de forma direta: quanto mais alto o pico, mais profunda pode ser a queda. Por isso a medicação é ajustada para um meio-termo. Não para tirar a vida, mas para evitar que, quando a depressão vier — porque nos transtornos bipolares ela não é totalmente evitável — ela venha com força suficiente para destruir tudo.


Quando o “bem demais” começa a preocupar

Antes da queda, quase sempre há sinais. Mais energia do que o habitual. Menos necessidade de sono. Mais confiança. Mais resolutividade.Mais alegria de verdade.E medo da alegria, porque sei o que vem depois. Estou feliz por estar bem, mas já preocupada também, pois no decorrer desses anos, sei que não dura, nunca serei feliz de verdade eu acho.

Não vem irritação. Não vem desorganização. Vem eficiência. Vem a vontade de viver e o ânimo que falta a maior parte da vida.

E talvez por isso seja tão difícil perceber onde está o limite.

Quando estou bem demais, aprendi que preciso observar — não comemorar sem cuidado. É triste! Mas é isso, não posso ficar tão feliz por estar feliz... Não sei exatamente quanto tempo vai durar a alegria, as vezes mais, outras menos, mas a certeza é que passa.


Quando a queda começa

A descida não começa na mente. Começa no corpo. Geralmente tem sido assim depois que comecei a prestar mais atenção em mim.

Vem o cansaço. As dores. A indisposição. A perda de ânimo para coisas que antes davam prazer. Estou vivendo isso agora, o início de uma depressão, que não sei quanto profunda será, mas sei que está começando, mesmo medicada.

A mente, então, começa a correr para o futuro — sempre para cenários ruins. Medo de recaída. Medo de não dar conta. Medo de perceberem. Medo de ter que trocar medicação. Medo dos efeitos colaterais. Medo de dessa vez partir de verdade... Porque não faltam ideias e planos para isso.

A culpa aparece forte. Pensamentos duros. Autojulgamento. Revisões intermináveis da própria vida. Sinto um vazio! Me sinto um nada, um lixo, uma incapaz e questiono milhares de vezes, porque ainda estou aqui?

E junto disso, aquela frase silenciosa:

“Lá vem de novo. Eu não aguento mais!”


O que a ciência chama de estabilidade

Na psiquiatria, estabilidade não significa bem-estar pleno. Significa redução de extremos.

O tratamento busca evitar colapsos graves, hospitalizações, impulsividades e riscos maiores. Ele não promete ausência de dor.

Hoje, com diagnóstico, tenho mais consciência. Consigo identificar sinais. Evitar alguns gatilhos. Mas isso não significa controle total.O controle total não existe, nunca vai existir.

Significa conviver com ciclos — mesmo medicada.As recaídas serão para sempre, já entendi.


O luto silencioso

Existe um luto pouco falado: o luto por saber que a estabilidade passa.

Eu me esforço. Sou forte. Sustento muita coisa. Mas quando o corpo começa a esfriar, a depressão ocupa espaço.

O estresse não fica só na mente. Já virou prurido intenso, erupções na pele, dificuldade para respirar, necessidade de medicação. O corpo responde quando o limite é ultrapassado.

Não é falta de vontade. Não é fraqueza. É doença atravessando a vida.


Você já percebeu esse “bem demais” antes da queda?

Se sentir vontade, escreva nos comentários como isso acontece com você. Este espaço também é feito de escuta.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Quando o corpo dói antes da tristeza


A depressão avisa no corpo antes de se revelar na mente.

Antes da tristeza profunda aparecer, meu corpo avisa. Não com palavras, mas com dor.

É uma dor muscular difusa, cervical, nos dedos. Às vezes parece reumatismo, às vezes tendinite. Nenhum analgésico resolve.

Eu durmo bem, mas acordo cansada. Sem ânimo. Sem vontade. Até atividades simples — como uma caminhada — passam a exigir um esforço que parece desproporcional.

A semana passada eu estava bem. Atenta. Disposta. Depois, aos poucos, vieram o choro, as dores espalhadas, a perda de interesse pelas coisas que eu gostava. Eu reconheço esse caminho. Já vivi isso outras vezes.

Meu corpo entra em depressão antes da minha mente aceitar.


O que a ciência explica sobre isso

Na bipolaridade, especialmente nas fases depressivas, o sofrimento não é apenas emocional. A literatura científica descreve fenômenos como fadiga central, lentificação psicomotora e aumento da sensibilidade à dor.

Mesmo sem alterações em exames de imagem, o sistema nervoso central pode amplificar sinais dolorosos. Isso não significa que a dor seja imaginária. Ela é neurobiológica.

Alterações nos neurotransmissores, no eixo do estresse e nos mecanismos de modulação da dor fazem com que o corpo sofra junto — e, muitas vezes, antes — do humor piorar de forma evidente.

  • a dor não melhora com analgésicos comuns
  • o cansaço não passa com descanso
  • os exames permanecem normais
  • a limitação física é real

Medicação e limites do tratamento

O bupropiona foi o medicamento que mais contribuiu para minha funcionalidade e energia. O lítio entrou como estabilizador, mesmo sem aliviar diretamente os sintomas físicos.

Estar medicada não significa estar imune à recaída. Significa, muitas vezes, reduzir riscos — não eliminar o sofrimento.


O que aprendi observando isso em mim

Aprendi a respeitar os sinais do corpo. Quando a dor aparece sem causa aparente, não interpreto mais como fraqueza.

Ainda estou refinando como lidar com isso. Ainda dói. Ainda limita. Mas hoje sei que não é preguiça, invenção ou falta de vontade. Me sinto triste porque as pessoas não entendem, apesar de não esperar que entendam, pois só entende quem sente ou já sentiu o mesmo.

Quando a dor vem, junto vêm a tristeza, a ansiedade, o medo e a vontade de sumir. Não de morrer — de pausar a existência por algumas horas, por dias... desaparecer...

Escrever isso não é reclamar. É nomear o que acontece de verdade.


  • Você não está exagerando
  • Seu corpo também sente a doença
  • Estar em tratamento não te impede de sofrer

Você já percebeu seu corpo dando sinais antes da mente entender o que está acontecendo? Como foi?

Se sentir vontade, escreva nos comentários como isso aparece em você. Este espaço também é feito de escuta.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Carta de mim para mim

🌸 Carta de mim para mim

Às vezes, tudo o que a gente precisa é parar… e se olhar com a mesma compaixão que oferece ao mundo.

Querida Eu,

Eu vejo você. Eu vejo a força, a dor, a coragem e o amor que você carrega. Eu vejo a mulher que sobreviveu, que aprendeu com medos, erros e acertos.

Eu vejo a beleza escondida que você esqueceu: sua integridade, sua empatia, sua honestidade e sua capacidade de amar.

Você não precisa ser perfeita para ser suficiente.


✨ Uma verdade que vale para todos nós

Você não precisa se punir por sentir, por agir ou por se proteger. É hora de parar de se comparar, de se culpar e de se esconder atrás de defesas que já não te servem.

Permita-se sentir alegria, amor, reconhecimento e abundância. Permita-se agir, se expressar e se valorizar sem medo.

Lembretes importantes:

  • Você pode manter sua essência e seus limites
  • Seu silêncio também é uma forma de cuidado
  • Você é capaz de criar uma vida plena e leve

Eu te abraço e digo: você merece tudo de bom que a vida tem para oferecer. E eu estou aqui para garantir que você nunca se esqueça disso novamente.

Com amor,
Sua versão curada


  • Você é suficiente
  • Você não está atrasada
  • Você merece viver com mais leveza
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sábado, 3 de janeiro de 2026

🌸 Dia 04: Um hábito que eu gostaria de não ter

Dia 04: Um hábito que eu gostaria de não ter

Se existe um hábito que eu gostaria profundamente de não carregar comigo, é o de me omitir. O de silenciar minha voz por medo do que vão pensar. O de colocar os outros sempre em primeiro lugar, mesmo quando isso me custa a paz, a dignidade e, muitas vezes, a mim mesma.

Durante muito tempo, aprendi a acreditar que agradar era uma forma de ser aceita. Que ceder era sinônimo de amor. Que me adaptar demais evitaria conflitos. E assim fui abrindo mão, aos poucos, do que acredito, do que sinto, do que sou. Fui diminuindo minhas dores, relativizando meus limites, justificando injustiças, como se eu não merecesse ser ouvida.

Esse hábito também se manifesta quando me sinto inferior. Quando penso que qualquer outra pessoa é mais interessante, mais capaz, mais digna do que eu. Mesmo sabendo, no fundo, que sou forte, que já atravessei desertos, que sustentei dores que muitos não suportariam, ainda assim me pego duvidando do meu valor.

Há momentos em que percebo claramente: não é falta de capacidade, é excesso de medo. Medo de desagradar. Medo de perder. Medo de ficar sozinha. E, ironicamente, esse hábito de me anular é justamente o que mais me machuca, o que mais me afasta de mim.

Não é fácil admitir isso. Dói reconhecer quantas vezes me calei quando deveria ter falado. Quantas vezes engoli lágrimas para manter a harmonia. Quantas vezes traí meus próprios princípios para ser aceita em lugares onde talvez eu nunca tivesse que me diminuir.

Hoje, escrever sobre isso é um passo. Pequeno, mas verdadeiro. Não para me julgar, mas para me olhar com honestidade. Porque mudar começa quando a gente nomeia. E eu não quero mais carregar como hábito aquilo que me faz desaparecer.

  • O hábito de me omitir por medo do julgamento.
  • Colocar os outros sempre à frente de mim.
  • Duvidar do meu próprio valor e merecimento.
  • Abrir mão de princípios para ser aceita.
  • O desejo sincero de reaprender a me escolher.

💛 Reflexão: Reconhecer um hábito que machuca não é fraqueza. É coragem. É o início de um reencontro com quem a gente realmente é.


💭 E você?

Existe algum hábito que te machuca em silêncio?
Que te faz se calar, se diminuir ou se esquecer de si?

Talvez reconhecer — e até escrever sobre isso — seja o primeiro passo para mudar.

Se você estiver passando por um momento difícil, converse com alguém. CVV – 188 (24h).

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

🌸 Um Ano Que Quase Me Quebrou… Mas Não Conseguiu

Um Ano Que Quase Me Quebrou… Mas Não Conseguiu

Quando olho para este ano, meu coração aperta e, ao mesmo tempo, se enche de gratidão. Foi um daqueles anos em que a gente anda machucada por dentro, mas continua caminhando. Um ano em que sobrevivi mais do que vivi — e ainda assim, venci.

Carreguei tristezas silenciosas, angústias que não cabem em palavras e pensamentos que, em alguns dias, pareciam grandes demais para mim. Houve momentos escuros, ideias ruins, cansaço extremo da alma e uma vontade imensa de desaparecer por algumas horas. Mas havia algo que sempre me puxava de volta: eu sigo viva para ver minha filha feliz.

Vivo com medo. Medo de escolhas erradas, medo de que qualquer decisão possa machucá-la, medo do mundo, medo do futuro. Talvez esse medo nunca vá embora completamente. Talvez ele exista porque o amor que sinto é grande demais.

Este ano também foi feito de milagres. A saúde da minha família foi preservada. Uma cirurgia delicada terminou em cura, e eu nunca vou esquecer o quanto rezei, chorei e agradeci quando tudo deu certo. Meus pais estão bem. Minha irmã está bem. Amigos enfrentaram o câncer e venceram — e isso, para mim, é graça pura.

Houve também aquela grande graça recebida no ano anterior, que ainda ecoa no meu coração todos os dias, como um lembrete silencioso de que Deus não me soltou a mão nem nos piores momentos.

Na minha caminhada pessoal, consegui algo que parecia impossível: avancei no curso, sem reprovações, sem desistir, mesmo estudando com o coração cansado. Cada matéria vencida foi uma pequena vitória contra a dor. Contra o medo. Contra a vontade de parar.

Minha filha cresceu diante dos meus olhos. Estuda, trabalha, conseguiu estágio, abriu caminhos. E eu observo tudo isso com o coração apertado e orgulhoso, pedindo a Deus, todos os dias, que a proteja das escolhas erradas, das pessoas erradas e das dores que não posso evitar.

Em casa, nem sempre me sinto em paz. Existem situações que não posso mudar, injustiças que ferem, conflitos que não dependem de mim e que atingem quem eu mais amo. São dores silenciosas, difíceis de explicar, e talvez quem leia nem consiga imaginar exatamente do que se trata. Mas elas existem. E doem.

Mesmo assim, sigo. Sigo saudável. Sigo em pé. Sigo esperando que a justiça se cumpra em uma causa importante que ainda aguardo. Sigo suplicando diariamente por uma cura que parece impossível aos olhos humanos, mas que, para Deus, continua sendo esperança.

Este foi um ano de choro escondido, de orações feitas no silêncio, de noites longas e dias pesados. Mas também foi um ano de vitórias, de sobrevivência, de fé insistente e de amor que não desistiu.

Sou grata. Por tudo. Pelo que foi bom, pelo que doeu, pelo que ainda não chegou. Sou grata porque, apesar de tudo, eu estou aqui. E isso, por si só, já é uma vitória.

💛 Reflexão: Às vezes, vencer não é sorrir. É apenas continuar. E continuar, quando tudo pesa, é um ato de coragem que poucos enxergam.

Se você leu até aqui, me diga: você também teve um ano em que precisou ser forte mesmo sem querer?

Se este texto tocou em algo sensível dentro de você, procure ajuda. CVV – 188 (24h).

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

🌸 Entre a Angústia e o Silêncio

Entre a Angústia e o Silêncio

Tenho vivido dias de uma tristeza silenciosa, daquelas que não gritam, mas pesam. No fim do ano, tudo parece se intensificar. As cobranças, os medos, as lembranças, o cansaço da alma. É como se o coração pedisse pausa, mas o mundo insistisse em movimento.

Larissa está em casa, e isso me traz um misto de alívio e pânico. O medo constante de que a mãe dela descubra, de que surjam conflitos, de que a paz tão frágil seja quebrada. Viver em alerta cansa. Pensar demais cansa. Antecipar problemas que talvez nem aconteçam cansa ainda mais.

Eu não queria viajar. Queria ficar. Ficar no meu canto, em silêncio. Queria me recolher, ler, estudar, organizar pensamentos, tentar me reorganizar por dentro. Queria apenas existir sem ter que explicar nada a ninguém. Mas, às vezes, a vida não pergunta o que queremos. Ela simplesmente impõe.

Existe em mim uma vontade profunda de ficar sozinha. Não por rejeição, mas por sobrevivência. O silêncio, para mim, não é vazio — é refúgio. É onde eu me encontro, onde eu me recomponho, onde consigo respirar sem máscaras.

Quem me conhece de verdade sabe: quando me fecho, não é frieza. É proteção. É porque estou tentando não desmoronar por completo. Estou tentando juntar os pedaços, um por um, com cuidado.

Entre a angústia e a obrigação, sigo. Às vezes mais forte, às vezes apenas resistindo. Mas sigo. Porque mesmo cansada, mesmo triste, ainda existe em mim um fio de esperança — discreto, quase invisível — de que tudo isso tenha um propósito, e que em algum momento, o coração encontre descanso.

  • O peso emocional do fim de ano.
  • O medo constante de conflitos e instabilidade.
  • O desejo de recolhimento e silêncio.
  • A necessidade de ficar sozinha para se recompor.
  • A esperança que insiste em permanecer.

💛 Reflexão: Nem toda solidão é abandono. Às vezes, é apenas a alma pedindo descanso.


✨ Continuo

Mesmo com o coração apertado, continuo. Um passo de cada vez. Respeitando meus limites, acolhendo minhas dores e aprendendo, aos poucos, que também mereço cuidado.

Se você estiver passando por um momento difícil, converse com alguém. CVV – 188 (24h).

Bipolaridade e oscilação de humor: quando o dia amanhece nublado aqui dentro

Hoje está nublado aqui dentro. Hoje o dia amanheceu nublado. Não só lá fora. Aqui dentro também. Acordei sem vontade de sair. Se...